JB Neto/AE
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Ministério da Saúde pesquisa perfil dos usuários de crack no País

Resultados de um estudo no Rio de Janeiro, em Macaé (RJ) e Salvador serão divulgados em 2011

Agência Brasil

04 Outubro 2010 | 18h14

RIO DE JANEIRO - O aumento do consumo do crack e de sua disseminação entre as classes sociais vêm preocupando as autoridades brasileiras. Como ainda faltam dados precisos sobre o perfil dos usuários, o Ministério da Saúde informou nesta segunda-feira, 4, que pretende divulgar até o início de 2011 os resultados de um estudo nas cidades do Rio de Janeiro, Macaé (RJ) e Salvador.

O objetivo é direcionar de forma mais eficiente as ações do Plano de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, que está recebendo R$ 140,9 milhões, em verbas federais. De acordo com o ministério, essas cidades foram escolhidas porque já eram alvo de atividades nessa área, promovidas pelas universidades federais dos dois Estados (UFRJ e UFBA).

Para mapear a situação, o levantamento está dividido em seis partes, que incluem a coleta de dados sobre moradia, idade e sexo de pessoas que usam crack, além de comportamentos de risco para doenças sexualmente transmissíveis, como hepatite e aids, já que muitos dependentes se prostituem em troca de dinheiro para comprar a droga.

Outro aspecto que o estudo vai traçar é o diagnóstico do tipo de serviço público mais procurado por quem deseja abandonar o vício. Um dos principais desafios é garantir o acesso imediato dos pacientes a essas instituições e evitar que o tratamento seja abandonado, como destaca a diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Ivone Ponczek.

“O crack trouxe muitas mudanças no tipo de tratamento oferecido. Como é uma droga que causa dependência rapidamente, temos que agir da mesma forma. Antes da disseminação, a ação era gradativa, mas hoje pode não dar mais tempo, principalmente pela forte compulsão e porque, muitas vezes, o paciente vai e não volta mais”, explica Ivone.

Ela acrescenta que a proporção de atendimentos de usuários aumentou muito nos últimos três anos. “Hoje, de cada dez atendimentos, sete são em função do crack”, afirma. A diretora do Nepad também alerta para a progressiva redução da faixa etária de dependentes, “atingindo crianças de 8, 9 anos, em um processo estarrecedor”, completa.

Segundo ela, o baixo preço - cerca de R$ 0,50 por pedra - aliado à rapidez das sensações que provoca ajudam a explicar a frequente procura pela substância.

O psiquiatra Jairo Werner, professor da Uerj e da Universidade Federal Fluminense (UFF), destaca que, além das consequências físicas, há os graves problemas sociais, já que, para comprar a droga, a pessoa com o vício é capaz de agir com violência, cometer crimes e se prostituir.

“É uma questão social grave, que já não está restrita às classes econômicas mais baixas. Para combatê-la e evitar que essa tragédia aumente, é preciso desenvolver um trabalho preventivo enorme, envolvendo diversos setores da sociedade, como saúde, assistência social e segurança, tanto na esfera governamental como fora dela”, avalia Werner.

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