Vacina de febre amarela atinge só 19% do público

Vacina de febre amarela atinge só 19% do público

Ministério recomendou que Rio e SP prorroguem imunização; descoberta de vírus em novo mosquito aumenta alerta

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

15 Fevereiro 2018 | 16h22
Atualizado 15 Fevereiro 2018 | 22h58

BRASÍLIA - A campanha de vacinação contra a febre amarela iniciada no dia 25 de janeiro em São Paulo e no Rio atingiu até agora apenas 19% do público-alvo. Diante do baixo desempenho, o Ministério da Saúde recomendou que governos locais prorroguem o período de imunização. O governo do Rio avisou que deverá estender a iniciativa até que a cobertura vacinal seja atingida. Em São Paulo, a estratégia deverá ser definida após resultado de um novo dia D, marcado para esta sexta-feira, 16.

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A meta é imunizar 23,9 milhões de pessoas em São Paulo, Rio e Bahia, Estado que começará a campanha a partir do dia 19. Em São Paulo, foram imunizados 2,7 milhões de pessoas, o equivalente a 26% do público-alvo. Desse total, 2,6 milhões foram imunizados com doses fracionadas. No Rio, 1,2 milhão de pessoas foram imunizadas, o equivalente a 12% do público-alvo. A previsão inicial era de que em São Paulo a campanha com doses fracionadas fosse concluída nesta sexta. O Rio não havia estabelecido data-limite para o uso de doses fracionadas.

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“É importante que a população compareça para que a nós alcancemos a cobertura vacinal prevista de acima de 90% nessas áreas onde as vigilâncias estaduais determinaram que deve haver vacinação de pessoas”, afirmou o ministro Ricardo Barros ao apresentar os números.

A equipe do Ministério da Saúde não tem uma explicação clara sobre as razões que levaram à baixa adesão da campanha. A coordenadora-substituta do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde, Ana Goretti Kalumi, descartou a hipótese de que a vacina fracionada tenha sido rejeitada pela população. Ela apresentou a justificativa sempre usada no caso de baixo desempenho de vacinação da população adulta: jovens, sobretudo homens, resistem em procurar postos.

Os números apresentados pela pasta, no entanto, indicam que a circulação do vírus continua importante no País. A doença provocou somente este ano 117 mortes - 46 em São Paulo, 44 em Minas e 27 no Rio. Ao todo, foram 403 pacientes com a infecção confirmada. 

Novo mosquito

Além dos números do boletim, uma divulgação feita pelo Instituto Evandro Chagas, no Pará, chamou a atenção para a necessidade de prevenção contra a doença. O instituto identificou a presença do vírus da febre amarela no Aedes albopictus, mosquito conhecido como “tigre asiático” e que vive em áreas rurais e silvestres.

A descoberta, inédita no mundo e comunicada pelo presidente do instituto, Pedro Vasconcelos, vai desencadear uma nova frente de estudos. Uma força-tarefa foi criada para capturar exemplares do mosquito onde há transmissão da doença: São Paulo, Rio e Bahia. A missão começa em 15 dias. O objetivo é verificar se o “tigre asiático” pode também transmitir a doença por meio da picada. 

“É precipitado fazer qualquer julgamento”, afirmou Vasconcelos. “O encontro do vírus no mosquito por si só não autoriza ninguém a afirmar que ele é transmissor”, disse. Vasconcelos admitiu, no entanto, que se o “tigre asiático” for de fato outro vetor da febre amarela, há um potencial risco de um novo ciclo de transmissão da doença nas Américas, chamado intermediário. Hoje no País acontece a transmissão silvestre da doença e há o risco de transmissão urbana, pela picada do Aedes aegypti.

O ciclo intermediário já ocorre na África. Ele permite a ligação do ciclo silvestre e urbano com o ciclo rural. De acordo com Vasconcelos, o “tigre asiático” está presente em cerca de mil municípios brasileiros, sobretudo em áreas rurais. “Ele é um mosquito que vive nas bordas das florestas e nas áreas periurbanas”, explicou Vasconcelos. 

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