Emerson Ferraz/Divulgação
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Ministério da Saúde se prepara para fracionar vacina contra febre amarela

Estratégia já é adotada em países africanos, onde dose é diluída e transformada em até cinco; ministro já havia descartado essa prática

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2017 | 13h40
Atualizado 30 de março de 2017 | 22h02

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde se prepara para fazer o fracionamento da vacina contra febre amarela. “A decisão vai depender do quanto a gente necessitar no momento”, disse o ministro da Saúde, Ricardo Barros. Diante do aumento da pressão de Estados para ampliar a oferta de imunizantes e das filas enfrentadas em áreas onde não há risco da doença, a pasta encomendou um levantamento às secretarias de saúde para verificar qual a necessidade de ampliação da oferta. 

A hipótese de importação de doses, estratégia inicial do governo, foi colocada em segundo plano nesta quinta-feira, 30, depois de produtores internacionais informarem não ter o item disponível para entrega. O Estado apurou que o ministério encomendou à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) um pedido para avaliar preço e disponibilidade de seringas para o fracionamento. A decisão deve ser anunciada na terça-feira. 

De acordo com a Opas, não há ainda uma definição sobre o preço do produto ou sobre quando a entrega poderá ser feita. Essas seringas especiais têm tamanho menor, padronizado para a dose “diluída” da vacina. Barros afirmou que uma sondagem também está sendo feita para a compra de diluentes.

Caso o fracionamento seja decidido, a estratégia será estendida para todo o País. “A vacina fracionada só não será dada para menores de 5 e para maiores de 60 anos”, disse o ministro.

Na estratégia, já adotada em países africanos, a vacina é diluída de forma que uma dose seja transformada em cinco. Estudos demonstram que, no processo, o efeito protetor se mantém, mas por um prazo muito menor do que a vacina tradicional: 12 meses em vez de 10 anos. 

Em entrevista à reportagem na terça-feira, o ministro afirmou que o fracionamento seria o último recurso. Isso pela desvantagem da validade curta. Passado um ano, o governo teria de providenciar mais vacinas para imunização.

A opção pelo fracionamento ganhou força também diante do aumento da pressão. Depois de o Rio anunciar que estenderia a imunização para toda população até o fim do ano – o que significa 15 milhões de doses a mais do que o planejado –, foi a vez de a Bahia solicitar nesta quinta reforço das entregas, também com o objetivo de ofertar segurança para todo o Estado. A decisão do governo baiano foi tomada em virtude da confirmação da morte de macacos provocada pela doença.

Integrantes do governo federal destacam que, qualquer que seja a solução adotada em curto prazo, terá de ser feita com a vacina produzida por Bio-Manguinhos, da Fiocruz, e com as 3,5 milhões de doses já enviadas pela Opas. Há também a possibilidade de remanejamento de estoques. Barros disse que no Espírito Santo, por exemplo, depois de uma corrida aos postos, a imunização não tem grande procura. “Pedi que o Estado avalie ceder parte das doses.” 

Ansiedade. Criticado por especialistas, o ministro defendeu a ação. “Isso significa um conforto à população. Estamos atendendo a uma ansiedade.” E reiterou não haver falta da vacina. “Está sendo distribuída de acordo com as cota estabelecida.”

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