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Ministério da Saúde suspende uso da vacina da AstraZeneca em gestantes

Decisão é preliminar até investigação sobre morte de grávida vacinada ser finalizada; órgão federal também determinou que imunização com qualquer vacina contra covid-19 fique restrita a gestantes com comorbidades

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2021 | 19h24
Atualizado 11 de maio de 2021 | 22h17

SÃO PAULO - O Ministério da Saúde decidiu nesta terça-feira, 11, suspender o uso da vacina de Oxford/AstraZeneca em gestantes e puérperas após o registro da morte de uma grávida do Rio de Janeiro que havia sido vacinada. O evento adverso já havia feito a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) orientar, na noite de segunda-feira, 10, a interrupção da utilização do imunizante nesse grupo populacional.

A decisão do ministério, disse a pasta, foi tomada por precaução até que seja concluída a investigação para determinar se o óbito tem ligação com a vacina, o que deve ocorrer nos próximos dias.

O órgão federal determinou também que a campanha de imunização com qualquer vacina contra a covid-19 fique restrita a gestantes com comorbidades, que são as que têm o maior risco de agravamento da doença e para quem os benefícios da vacina superam eventuais riscos. No novo cenário, portanto, apenas gestantes com alguma doença crônica poderão ser vacinadas e somente com os imunizantes Coronavac ou da Pfizer.

A campanha para esse público, no entanto, ficará prejudicada já que as doses da Pfizer são escassas e oferecidas só nas capitais e as unidades de Coronavac estão sendo usadas principalmente na aplicação da segunda dose em pessoas com o imunizante em atraso.

O Estado de São Paulo, por exemplo, já comunicou na noite desta terça que a campanha para gestantes e puérperas está suspensa até a chegada de novos lotes.

"A imunização será retomada tão logo novas remessas de vacinas do Butantan e da Pfizer sejam direcionadas pelo Ministério da Saúde para estes públicos. A nova data será amplamente divulgada assim que os imunizantes estejam disponíveis nos postos de vacinação. A previsão é que novas remessas destas vacinas cheguem nos próximos dias", informou, em nota, a Secretaria Estadual da Saúde paulista.

De acordo com o ministério, os eventos adversos das vacinas contra o coronavírus são extremamente raros. Até agora, das 22.295 gestantes imunizadas contra a covid no País (somadas as aplicações das vacinas da AstraZeneca, Pfizer e Coronavac), foram registrados 408 eventos adversos, dos quais somente 11 foram considerados graves. Oito deles já tiveram a relação com a vacina descartada.

Sobre as gestantes que já tomaram a primeira dose da AstraZeneca, a orientação do ministério é esperar a conclusão da investigação do caso e novas recomendações federais antes de tomar a segunda dose. Essas mulheres também não devem tomar segunda dose de outro fabricante já que não há estudos sobre eficácia e segurança da mistura de imunizantes diferentes.

O ministério informou que a gestante morta tinha 35 anos e morava no Rio. De acordo com a Anvisa, a paciente teve um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico que resultou no óbito da mulher e do feto. 

O obstetra e secretário de Atenção Primária à Saúde do ministério, Raphael Parente, esclareceu que a própria gravidez aumenta o risco de problemas de coagulação, como tromboses, e que, por isso, é preciso finalizar a investigação para determinar se foi a vacina a causadora do óbito. Por ano, são esperados 3 mil casos de trombose entre gestantes, disse Parente.

A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Francieli Fantinato, disse que os eventos adversos são extremamente raros e o risco de uma gestante morrer de covid é muito maior do que qualquer risco da vacina.

"O número médio de internações de gestantes por covid é de 200 por 100 mil gestantes. (O número de) Óbitos é de aproximadamente 20 por 100 mil. E a trombose por plaquetopenia pós-vacinação é 1 caso por 100 mil. Esse é um evento bastante raro", declarou.

Anvisa enviou 2 ofícios ao ministério com alerta sobre o evento adverso

A Anvisa informou que foi notificada na sexta-feira, 7, pelo fabricante da vacina sobre a suspeita do evento adverso grave na gestante do Rio. A mulher havia sido hospitalizada na quarta-feira, 5, com uma forte dor de cabeça e diagnóstico de AVC hemorrágico. No dia seguinte à internação, o feto, de 23 semanas, morreu. A gestante faleceu quatro dias depois, na segunda-feira, 10.

A agência diz que ter enviado ofício ao Ministério da Saúde no próprio dia 7, quando foi notificada sobre o episódio. No documento, a Anvisa alertou a pasta "sobre o risco do uso do produto em gestantes" e destacou que a indicação para esse público não constava na bula do produto.

A agência voltou a mandar comunicado à pasta federal no dia 10 de maio, data da morte da mulher, desta vez recomendando a interrupção do uso do produto em gestantes.

"Diante das incertezas sobre a segurança da vacina em gestantes, no fato que vem sendo realizada imunização de gestantes no Brasil e no princípio da precaução, a Anvisa encaminhou um novo ofício ao Ministério da Saúde em 10 de maio de 2021, recomendando fortemente a suspensão da vacinação de grávidas com a vacina Oxford/Astrazeneca/Fiocruz", destacou a agência em comunicado divulgado nesta terça com detalhes sobre o caso.

O ministério, porém, só se pronunciou e determinou a interrupção do uso do imunizante na noite desta terça, após a Anvisa divulgar comunicado à imprensa na segunda-feira recomendando a suspensão.

Em entrevista coletiva, representantes do ministério disseram que souberam do evento adverso também na sexta e que passaram os dias seguintes, inclusive o fim de semana, investigando o caso para definir qual seria a determinação.

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