Ministério da Saúde vai ampliar laboratórios para diagnosticar dengue

Segundo secretário, pasta já começa a verificar quais centros podem assumir essa atribuição

LÍGIA FORMENTI, Agência Estado

20 Janeiro 2011 | 19h43

O Ministério da Saúde vai ampliar o número de laboratórios capacitados para fazer o isolamento do vírus da dengue. O secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, afirmou hoje que a pasta já iniciou estudos para verificar quais centros poderiam ser habilitados para assumir essa atribuição. Atualmente, a tarefa é executada pelos laboratórios Evandro Chagas (no Pará), Adolfo Lutz (em São Paulo) e Fiocruz (no Rio).

"Precisamos ampliar nossa capacidade de diagnóstico, descentralizar. Agilidade na detecção de mudanças no comportamento da doença é fundamental para traçar estratégias de prevenção e controle", disse o secretário. O isolamento é feito para descobrir qual tipo de vírus está circulando. Existem quatro sorotipos, batizados de 1,2,3 e 4.

Barbosa afirmou não haver ainda um número fechado de quais centros passarão a fazer a identificação do vírus. A expectativa, segundo ele, é que já no próximo verão o serviço de diagnóstico esteja descentralizado.

Uma das preocupações é a agilidade para identificar rapidamente o aparecimento do sorotipo 4 do vírus. O reaparecimento desse subtipo no Brasil foi confirmado ano passado. Até agora, 12 pacientes tiveram a infecção comprovada: 10 em Roraima, 1 no Amazonas e 1 no Pará.

"Pelo comportamento que notamos até agora, o sorotipo 4 parece ter uma capacidade reduzida de provocar epidemia", afirmou Barbosa. "Mas precisamos ficar atentos, acompanhar. Podemos estar errados ou, ainda, o sorotipo sofrer uma alteração e ficar mais virulento", completou.

O ministério também está preocupado com a execução das medidas de prevenção contra a doença. Barbosa contou que a equipe da pasta estuda mecanismos para garantir que administradores tomem as medidas necessárias para combater o mosquito transmissor da doença. Algo que, de acordo com estatísticas de focos do Aedes aegypti e números de casos confirmados da doença, deixa muito a desejar.

"Hoje vivemos num sistema perverso. Municípios que não cumprem sua parte na prevenção, ao apresentar epidemia, são depois socorridos com verbas extras para tentar reduzir os estragos do problema. É uma espécie de premiação dos maus gestores", disse Barbosa. A intenção do governo, de acordo com Barbosa, é mudar essa relação: estipular metas e criar mecanismos para que, caso elas não sejam cumpridas, gestores saiam perdendo. "Isso não significa criar uma punição. Podemos seguir em direção oposta: benefícios para os que cumprirem as metas."

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