Marcelo Chello/Estadão
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Ministério da Saúde define ordem de vacinação contra covid de profissionais da educação

Locais sem demanda dos grupos prioritários poderão vacinar público de 18 a 59 anos sem comorbidades

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2021 | 13h14
Atualizado 28 de maio de 2021 | 17h37

O Ministério da Saúde decidiu antecipar a vacinação contra a covid-19 de profissionais da educação no Brasil. Segundo a nova diretriz, a distribuição de doses para esses funcionários deve, a partir de agora, acontecer ao mesmo tempo que os atuais grupos prioritários estão sendo atendidos. Outra mudança é a liberação para vacinar por idade em locais que já atenderam grupos de risco e trabalhadores essenciais.

As orientações constam de nota técnica do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (PNO), divulgada nesta sexta-feira, 28. Ainda de acordo com o documento, a imunização de profissionais da educação deve priorizar quem atua com estudantes mais jovens.

Assim, a fila deve funcionar nesta ordem: funcionários de creches, pré-escolas, ensino fundamental, ensino médio, profissionalizantes e Educação para Jovens e Adultos (EJA). Em seguida, ensino superior.

“Os dois grupos foram antecipados e podem ser imunizados em paralelo às pessoas com comorbidade. Na próxima pauta, já devem ir doses suficientes para imunizar parte desse grupo”, afirmou o secretário executivo do ministério, Rodrigo Otávio da Cruz.

Hoje, o plano nacional tem como público-alvo pessoas com comorbidade, gestantes e puérperas com comorbidade e pessoas com deficiência permanente que recebem benefício. Já os grupos prioritários seguintes são pessoas com deficiência, mas sem benefício, moradores de rua, população carcerária e trabalhadores do sistema prisional. Pelo planejamento até então, só depois que entrariam os profissionais da educação.

“Vamos andar em paralelo com o grupo de maior vulnerabilidade e esse grupo (da educação) que traz impacto social”, afirmou Francieli Fontana, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI). “Será encaminhado um porcentual de doses para cada os grupos pré-definidos e outro para os trabalhadores da educação.”

Na nota técnica, o ministério justifica que essa antecipação “diz respeito aos importantes impactos sociais ocasionados pela covid-19 na educação infantil com a necessidade de volta às aulas presenciais”. “Ressalta-se ainda que as creches e escolas contribuem não apenas para a educação, mas também para a segurança alimentar das crianças”, diz o documento.

“O ambiente escolar traz, no entanto, elevado risco de exposição a vírus respiratórios aos trabalhadores da educação tendo em vista que crianças são habitualmente peças chaves na transmissão destes vírus, o que justifica a vacinação deste grupo de trabalhadores”, completa a nota.

O ministério estima finalizar a imunização de idosos e grupos de maior risco no País em junho, cenário que permitiria antecipar o atendimento a profissionais da educação, segundo a pasta. Também argumenta que estimativas sobre grupos populacionais com comorbidade estariam, em alguns lugares, superestimadas e que os próximos grupos prioritários são menos numerosos.

Um total de 96,1 milhões de doses contra a covid-19 foram distribuídas até o momento, de acordo com a nota técnica. A expectativa do ministério é de receber mais 43,8 milhões de doses em junho, com lotes previstos da Pfizer, Coronavac e AstraZêneca.

População geral

A nota técnica também flexibiliza as regras para permitir que Estados e municípios vacinem a população geral, de 18 a 59 anos, desde que já tenham avançado no atendimento a grupos de maior vulnerabilidade e também de profissionais da educação. Na prática, essa vacinação em paralelo já acontece em alguns locais.

A recomendação da pasta é que a imunização por idade siga a ordem decrescente e só aconteça quando houver quantidade garantida de doses para os grupos prioritários.

“A gente começa a vacinar a população brasileira a partir do momento que terminar os trabalhadores da educação”, afirmou Francieli. “Abrindo por faixa etária, conseguimos atingir a população, começando da mais velha para a mais jovem. Trabalha-se nessa lógica pelo critério de vulnerabilidade, já que os mais velhos têm mais risco de complicação e de óbito.”

Segundo a coordenadora do PNI, nesse caso, cabe aos governos locais decidir os critérios mais finos para a imunização - como o cronograma dos grupos de idade que vão receber a dose primeiro. “Vamos enviar as cotas com base nas nossas estimativas”, disse. “O município vai ter de manejar e entender sua população.”

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