Vanderlei Faria/Prefeitura de Cascavel
Vanderlei Faria/Prefeitura de Cascavel

Ministério descarta Ebola em paciente internado no Brasil

Guineano apresentou 2 exames negativos e deve receber alta nos próximos dias; 63 que tiveram contato com ele deixarão de ser monitorados 

Lisandra Paraguassu, O Estado de São Paulo

13 Outubro 2014 | 16h57

O Ministério da Saúde descartou nesta segunda-feira, 13, a suspeita de que o guineano Souleymane Bah, de 47 anos, esteja com Ebola. A contraprova do exame, também feita pelo Instituto Evandro Chagas, do Pará, deu resultado negativo.

Bah foi transferido nesta segunda do isolamento para um quarto do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio, e só deve receber alta nos próximos dias. As 163 pessoas que tiveram contato com ele em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Cascavel, onde foi atendido, deixarão de ser monitoradas.

De acordo com o ministro da Saúde, Arthur Chioro, a equipe do INI fará alguns exames em Bah para tentar identificar se ele está com alguma outra doença transmissível. Foram feitos testes rápidos de dengue, HIV e malária – todos negativos.


Chioro garantiu que o alerta será mantido. “Todas as medidas de vigilância permanecem, apesar do baixo risco de que o Ebola chegue ao País”, afirmou. Nesta segunda, foram feitas reuniões com a Secretaria de Portos, o Ministério da Defesa e o Ministério do Turismo para intensificar as medidas de atenção. 

O ministro afirmou que as medidas são preventivas e os riscos de contágio são pequenos. “Nós não temos nenhum voo direto ou com escala de nenhum dos três países com epidemia (Guiné, Serra Leoa e Libéria). Então, são três barreiras de monitoramento até chegar ao Brasil: na saída desses países, onde 77 pessoas já foram impedidas de viajar, no país onde é necessária fazer uma conexão e depois nos nossos aeroportos.” 

O número de brasileiros nesses países da África Ocidental também é reduzido: apenas dois em Serra Leoa, 25 na Libéria e 33 na Guiné. Todos estão sendo acompanhados e, se manifestarem algum sintoma, serão repatriados para serem tratados no Brasil, de acordo com as normas da Organização Mundial da Saúde (OMS). A expectativa da entidade é de que a epidemia leve pelo menos seis meses ainda para ser controlada. 

Racismo. Chioro reagiu com indignação às informações, publicadas pelo Estado nesta segunda, mostrando que imigrantes africanos e haitianos estão sofrendo discriminação por causa da suspeita de que um deles poderia ter Ebola. “Não podemos concordar com nenhuma postura discriminatória e tomaremos todas as medidas necessárias para inibir essa postura. O princípio do SUS (Sistema Único de Saúde) é a universalidade. É inaceitável que em nosso País tenhamos atitudes desse tipo.”

Ao Estado, o ministro da Saúde anunciou que será criada uma campanha educativa contra o preconceito relacionado à saúde. “Esse tipo de discriminação é uma expressão da profunda ignorância das pessoas. Nada justifica esses atos e os imigrantes devem denunciá-los para o Ministério Público e para a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial”, disse Chioro. Serão distribuídas cartilhas e veiculadas peças publicitárias nos meios de comunicação de massa. 

Chioro mostrou preocupação, ainda, com Bah, temeroso de que ele sofra discriminação. Lembrou que o guineano está legalmente no País, tem visto de refugiado e direito a trabalhar. “Pedimos a todos os brasileiros que não manifestem qualquer tipo de reação racista ou segregacionista”, disse. “Caso Bah decida voltar para Cascavel, o mínimo que deve ser feito pela população é acolhê-lo com solidariedade. Seria uma grande lição de cidadania.” / COLABOROU FABIANA CAMBRICOLI

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