Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Ministério divulga aumento de mortes por gripe entre crianças

Segundo a pasta, 44 menores de 5 anos morreram neste ano; número é mais do que o triplo do registrado no ano passado

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

22 Junho 2018 | 22h40
Atualizado 22 Junho 2018 | 22h40

BRASÍLIA - Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que 44 crianças menores de cinco anos morreram neste ano por complicações ligadas à gripe. O número é mais do que o triplo do registrado em 2017, quando 14 óbitos foram computados pela pasta. 

O grupo de crianças é o que apresenta o menor indicador de adesão à campanha de vacinação contra a doença, que termina nesta sexta-feira, 22, para o público prioritário. Pelos cálculos da pasta, 3,6 milhões de menores de cinco anos não foram imunizados. Com isso, a taxa de cobertura atingiu 67,7%. A expectativa é de que alcançasse, no mínimo, 90% da população nesta faixa etária.

++ Vacinação contra gripe terá público-alvo ampliado em SP

Gestantes também apresentaram uma baixa adesão, com cobertura de 71%. A partir de segunda, a vacinação contra a gripe será aberta para outros públicos, além dos que são considerados prioritários. Crianças de 5 a 9 anos poderão ser imunizadas e também pessoas a partir dos 50 anos.

A tendência de aumento da mortalidade por complicações de gripe não se registra apenas entre crianças. Dados do Ministério da Saúde mostram que ocorreram no País até o momento 535 mortes. A maior parte, 351 mortes, provocadas pela infecção por H1N1. O H3N2, cepa do vírus que no Hemisfério Norte provocou um grande número de casos e mortes, causou no País 97 óbitos.

++ Surto de toxoplasmose em Santa Maria pode ter tido origem na água

No total, 54,4 milhões de pessoas deveriam ter sido imunizadas. Os números obtidos até quarta, no entanto, mostram que a expectativa foi frustrada. Apesar de duas prorrogações, 45,8 milhões de pessoas em todo o País foram vacinadas.

São Paulo

A Secretaria da Saúde decidiu manter e ampliar a campanha de vacinação contra a gripe, que se encerraria nesta sexta-feira, 22, no Estado de São Paulo. A partir de segunda-feira, 25, os municípios que ainda tiverem vacina devem estender a vacinação também para crianças de 5 a 9 anos e para adultos de 50 a 59 anos. O motivo é que a campanha não atingiu a meta de imunizar 90% da população dos grupos de risco no Estado. Cerca de 950 mil crianças e 170 mil gestantes ainda precisam ser imunizadas, segundo a pasta. Nesses grupos de risco, a cobertura vacinal atingiu 59,1% das grávidas e apenas 58,3% das crianças.

No interior, muitas cidades já haviam decidido intensificar as campanhas de vacinação, em razão de mortes recentes causadas pela doença. Em Botucatu, a Secretaria de Saúde confirmou a primeira morte pela gripe nesta quinta-feira, 21. A vítima do influenza H1N1 foi um jovem de 19 anos que estava internado no Hospital das Clínicas da cidade. Conforme o secretário André Spadaro, a vacinação atingiu apenas 74,5% do público-alvo e, no caso das crianças de 6 meses a 5 anos, ficou em 44%. “Entramos em contato com a Vigilância Epidemiológica Estadual e pedimos um reforço de vacinas para a próxima semana”, disse.

Em São José do Rio Preto, a Secretaria de Saúde vai manter a vacinação depois de confirmar a décima morte pela gripe. A vítima, uma mulher de 54 anos, foi diagnosticada com a influenza H1N1, responsável por sete dos óbitos. A cidade teve 72 casos de gripe grave confirmados. Segundo a Secretaria foram vacinadas 131 mil pessoas, das quais 94,8 de grupos de risco, atingindo 88,7% da meta. “Temos um bom resultado, mas deveríamos ter alcançado 90% em todos os grupos”, disse a secretária Michela Barcelos. Segundo ela, quem faz parte dos grupos prioritários e não se vacinou pode procurar uma unidade mesmo após o fim da campanha. "Vamos utilizar as doses que sobraram para continuar a vacinação”, disse.

Em Catanduva, apenas 74% das pessoas que deveriam se imunizar tomaram a vacina. Crianças e gestantes ficaram abaixo dos 60%. A Secretaria lançou uma campanha paralela, envolvendo escolas e igrejas, que vai continuar ao menos até o fim de junho. A cidade não registrou mortes, mas na região, quatro pessoas morreram este ano.

Em Taubaté, foram confirmadas mais duas mortes pelo vírus. As vítimas são mulheres de 63 e 84 anos que morreram no início de maio. A cidade soma oito mortes por gripe este ano. Entre as vítimas, estão dois jovens de 19 e 20 anos e um bebê de 3 meses. “Grávidas e pais que ainda não vacinaram seus filhos devem aproveitar a continuidade da vacinação. Para esses grupos, tomar a vacina é especialmente importante para evitar complicações futuras, como pneumonia e internações hospitalares”, disse a diretora de Imunização da pasta estadual, Helena Sato. /COLABOROU JOSÉ MARIA TOMAZELA

Mais conteúdo sobre:
Ministério da Saúde H1n1 gripe vírus

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.