Erasmo Salomão/MS
Erasmo Salomão/MS

Ministério diz que vacina é 'instrumento para a volta da normalidade', mas que não há obrigação

Pasta da Saúde também afirmou que a previsão de distribuição da vacina de Oxford continua para o começo do ano que vem. Fala de Bolsonaro fez ressurgir debate sobre vacinação compulsória

Marcela Coelho, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2020 | 20h34

O secretário executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco Filho, afirmou nesta quarta-feira, 2, que vai incentivar uma futura vacina da covid-19 para a volta da normalidade, mas ressaltou que o imunizante não é obrigatório. “Incentivaremos a vacina para a imunização da população. Caso contrário, poderemos ter o risco da volta de doenças que já haviam sido erradicadas do País, como aconteceu com o sarampo recentemente. Mas lembramos também que a vacina não é obrigatória, mas vai ser um grande instrumento para que voltemos a nossa normalidade, dentro da sociedade, dentro da capacidade produtiva e dentro da educação", disse em coletiva de imprensa.

O tema da recusa à vacinação veio à tona após, na noite de segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro ser abordado por uma mulher que pediu ao governo a proibição da vacina contra a doença por considerá-la “perigosa” e acreditar que “em menos de 14 anos, ninguém pode colocar uma vacina no mercado”. Na ocasião, Bolsonaro respondeu que “ninguém pode obrigar ninguém a tomar a vacina”. No dia seguinte, a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) publicou uma peça publicitária em suas redes sociais com a mesma fala do presidente.

Franco também anunciou que a previsão de distribuição da vacina de Oxford continua para o começo do ano que vem. “Entregas em dezembro, iniciando a imunização, se tudo der certo, conforme se está comprovando que vai dar certo, essa imunização começa a partir de janeiro de acordo com o planejado”, afirmou. 

O secretário executivo disse inclusive que a vacina de Oxford “é o projeto que está mais avançado e que tem apresentado as melhores condições, com efetividade e segurança, de proporcionar a imunização da população”. Ressaltou, contudo, que precisa antes ser aprovada e homologada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser aplicada nos brasileiros.

O acordo da Fiocruz com o laboratório britânico AstraZeneca para a produção da vacina de Oxford prevê 100,4 milhões de doses inicialmente. Segundo Franco, com o aumento da capacidade de produção e a transferência de tecnologia, a Fiocruz será capaz de produzir de 30 a 40 milhões de doses por mês em um segundo momento. Isso permitiria uma possível segunda dose já no segundo semestre de 2021. A vacina, porém, não deve ser para toda a população.

"Dentro dos dados da epidemiologia, para se fazer uma imunização, não há previsão de vacinar 100% da população. Isso não é o normal, e sim os grupos de risco, como profissionais de saúde e segurança, aqueles que estão na linha de frente, aqueles que têm comorbidades, e este público prioritário está sendo estudado com vários órgãos", falou o secretário.

Durante a coletiva, o Ministério da Saúde ainda anunciou que será publicada em breve uma portaria com repasse de R$369 milhões a municípios e ao Distrito Federal para reforçar as ações de rastreamento e monitoramento de pessoas que tiveram contato com casos confirmados de covid-19. 

Brasil já soma 4 milhões de infectados

Nesta quarta-feira, 2, o Brasil registrou 4.001.422 milhões de infectados pelo novo coronavírus. A marca foi alcançada com a contabilização de 48.632 novos casos nas últimas 24 horas, segundo levantamento feito por Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL junto às secretarias estaduais de Saúde.

Em relação às mortes, a média diária teve um pequeno aumento e ficou em 878, referente aos sete dias anteriores. No total, 123.899 brasileiros morreram em decorrência da covid-19. Somente nas últimas 24 horas, foram acrescidos 1.218 novos óbitos.

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