Ministério estima que Brasil terá 576 mil novos casos de câncer em 2014

O tumor de pele não melanoma, o mais frequente tanto entre homens quanto em mulheres, deverá atingir 182 mil pessoas

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2013 | 15h40

BRASÍLIA - O Brasil deverá ter 576.580 novos casos de câncer em 2014, de acordo com estimativa divulgada na quarta-feira, 27, pelo Ministério da Saúde. As projeções são válidas também para 2015. O número é 11% maior que o total de novos casos esperados dois anos atrás (518.510 mil). De acordo com o Ministério da Saúde, melhorias na quantidade e qualidade da base de dados podem ter interferido no índice.

Sul e Sudeste terão maior número de casos. Por duas razões: as regiões apresentam altas taxas populacionais e de envelhecimento. Pelos cálculos do Instituto Nacional de Câncer (Inca), responsável pelas projeções, a previsão é de que ocorram 299.730 casos novos no Sudeste e 116.330 no Sul.

"O câncer cresce no Brasil seguindo uma tendência internacional, fortemente influenciado pelo envelhecimento da população. Outros fatores de risco também são importantes, como o tabagismo", disse o coordenador de Prevenção e Vigilância do Inca, Cláudio Noronha.

Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os dados reforçam a necessidade de o câncer ser "prioridade absoluta, para gestores e profissionais de saúde". O tumor de pele não melanoma, o mais frequente tanto entre homens quanto em mulheres, deverá atingir 182 mil pessoas no País, o equivalente a 31,5% do total de novos casos.

Padilha chamou a atenção para o crescimento dos casos de câncer de cólon e reto, que hoje ocupa o segundo lugar do ranking dos tipos mais frequentes entre mulheres (atrás dos tumores de mama) e o terceiro entre homens (depois das neoplasias de próstata e de traqueia, brônquio e pulmão) – descontados os casos de câncer de pele do tipo não melanoma, conforme metodologia adotada pelo Inca.

Noronha atribui o aumento a vários fatores: obesidade, sedentarismo, envelhecimento e alimentação inadequada. Diante dos números, Padilha afirmou que um grupo deverá avaliar a possibilidade de se fazer o rastreamento desse tipo de câncer na população, a exemplo do que já é feito com câncer de colo de útero. O coordenador do Inca contou que poucos países, como França e Noruega, adotam essa estratégia atualmente.

Estratégia. O exame mais importante para identificar a doença é a colonoscopia, um teste que exige infraestrutura, capacitação e preparo do paciente. Noronha avalia que a implementação de uma estratégia como essa teria de ser precedida de uma avaliação e de uma série de preparativos nos locais de atendimento. "Isso vai exigir treinamento, investimentos", disse.

No País, exames mais simples, como o para identificação de câncer de colo de útero, apresenta sérias falhas de aplicação. Reportagem publicada pelo Estado neste mês mostra que, entre 2011 e 2012, o número de exames para diagnóstico de câncer de colo de útero caiu 4,6%. O Sistema Único de Saúde (SUS) também teve queda no número de mamografias no primeiro semestre do ano, em comparação com o mesmo período de 2012. A queda vai na contramão do plano apresentado há mais de dois anos pela presidente Dilma Rousseff para prevenção dessas duas doenças.

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