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Ministério investiga morte com suspeita de febre amarela urbana

Caso aconteceu em Natal e foi confirmado por laboratórios no PA e em SP; apesar dos resultados, governo federal quer nova análise

Anna Ruth Dantas e Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

29 Dezembro 2015 | 18h56

Atualizado às 19h

BRASÍLIA E NATAL - O Ministério da Saúde investiga um caso suspeito de febre amarela urbana em Natal. Caso confirmado, este será o primeiro registro da doença desde 1942. A vítima, a auxiliar de enfermagem Rita de Cássia da Silva Santos, de 53 anos, moradora da capital potiguar, começou a apresentar sintomas (dores, manchas pelo corpo e vômito) no fim de junho e poucos dias depois, em 6 de julho, faleceu. Exames laboratoriais realizados pelo Instituto Evandro Chagas, no Pará, e pelo Instituto Adolfo Luz, em São Paulo, indicam infecção pelo vírus da febre amarela. Apesar dos resultados, a pasta afirma ser necessário complementar a investigação.

Para o ministério, há três pontos que enfraquecem a suspeita de que seja febre amarela e indicam a necessidade de outras análises, além dos laudos apresentados pelos institutos. Os sintomas apresentados pela paciente não são compatíveis com os sinais clássicos da doença: febre alta, dor de cabeça, dor muscular muito forte.

Além disso, a paciente tinha sido vacinada havia pouco tempo contra a febre amarela - isso poderia, de alguma forma, ter alterado o resultado dos exames, uma vez que a vacina é preparada a partir do vírus atenuado. Para completar, não há evidências epidemiológicas que possam sugerir a transmissão do vírus no município. Nos últimos seis meses, não houve  registros da doença ou de casos suspeitos em primatas não humanos no Estado.

As investigações serão feitas em diversas frentes. Coleta de insetos e de material biológico de primatas para identificar a presença do vírus, a realização de exames laboratoriais adicionais em amostras já coletadas da vítima, além de uma análises epidemiológicas.

Mesmo com o resultado dos dois laboratórios, o Setor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde da prefeitura de Natal solicitará contraprovas. O órgão estranhou o fato de que a vítima não esteve em área de risco e que nenhum familiar ou vizinho registrou a doença.

Outro fato apontado pela Vigilância Epidemiológica de Natal é que, na coleta de ovos do mosquito Aedes aegypti, onde são espalhadas 500 "armadilhas" pela cidade, não foi identificado o vírus da febre amarela. O caso da doença na capital potiguar é visto como "intrigante" pelas autoridades locais.

O irmão da auxiliar de enfermagem, Milton Alexandre da Silva, relatou que a Rita teve como sintomas iniciais as manchas no corpo, depois chegaram ânsia de vômito e dores no corpo. 

Febre amarela. A febre amarela é uma doença infecciosa transmitida por mosquitos. Os ciclos de transmissão são silvestre e urbano. O urbano tem o homem como principal hospedeiro, sendo o principal vetor o mosquito Aedes aegypti.

No ciclo de transmissão silvestre, o macaco é o principal hospedeiro do vírus e os vetores são espécies silvestres de mosquitos, principalmente dos gêneros Haemagogus e Sabethes. Os últimos casos de transmissão urbana no Brasil ocorreram em 1942, no Acre. Desde então, todos os casos registrados foram decorrentes do ciclo silvestre de transmissão.

Rio Grande do Norte. O Rio Grande do Norte é o quarto Estado com o maior número de notificações de microcefalia, que teria sido provocado pelo zika vírus, transmitido pelo Aedes aegypti. Foram notificadas 154 casos no Estado.

Nesta terça-feira, a Secretaria Estadual de Saúde instalou uma sala de situação para monitorar focos do mosquito. O serviço vai funcionar junto com estruturas semelhantes montadas em outros Estados da região Nordeste.

Também nesta terça-feira, o secretário estadual de Saúde, Ricardo Lagreca, reuniu-se com o arcebispo metropolitano de Natal, dom Jaime Vieira Rocha. Na reunião, o secretário expôs a gravidade da situação com o aumento do número de casos de microcefalia causados pelo zika, e a sua preocupação com o surgimento de uma nova epidemia de dengue, principalmente com as chuvas que já começam a cair no Estado.

Foi sugerido ainda que a Arquidiocese oriente aos párocos que nas suas homilias falem da importância de se prevenir contra o Aedes aegypti, tendo em vista a credibilidade da Igreja Católica diante da sociedade. O próprio arcebispo se colocou à disposição para participar de um Dia D de combate ao vetor juntamente com o secretário de Saúde, a ser ainda agendado para o início de janeiro.

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