Ministério Público investiga morte de 12 bebês no Pará

Promotor já pediu cópia do prontuário das mulheres que deram entrada na maternidade do hospital

Carlos Mendes, Agência Estado

24 de junho de 2008 | 18h44

Falha médica ou falta de equipamentos? Esta é a suspeita do Ministério Público para a morte de 12 bebês, no último final de semana, no hospital da Santa Casa de Misericórdia do Pará. O MP começou nest aterça-feira, 24, a investigar o caso e vai pedir a abertura de inquérito policial. O promotor Ernestino Silva já pediu cópia do prontuário das mulheres que deram entrada na maternidade do hospital e quer saber as providências que foram tomadas em cada situação. As informações pedidas por Silva terão de ser entregues até sexta-feira, 27.  O Sindicato dos Médicos do Pará diz que há um ano vem denunciando mortes de bebês, mas nenhuma providência até agora foi tomada. O diretor da entidade, Luiz Sena, é taxativo: "o Ministério Público já conhecia o problema, os diretores da Santa Casa, também. Esse não é um processo de agora. E nós não sabemos mais a quem recorrer". O que falta no hospital, garante Sena, são investimentos em saúde básica e prevenção. Sem isso, as mortes continuarão acontecendo.  Funcionários do hospital contaram ao Estado que os bebês internados enfrentam risco de morte devido à superlotação e falta de equipamentos. Pedindo para não ser identificado, um deles disse que até respiradores são divididos entre os recém-nascidos. Para piorar, há superlotação de leitos e uma concentração exagerada de crianças da própria capital e do interior do Pará atendidas na Santa Casa.  A direção da Santa Casa diz em nota que o número de óbitos está de acordo com a taxa aceita pela Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 50% do total de leitos da unidade. "Essa taxa de mortalidade em UTI neonatal é parâmetro internacional esperado, devido à gravidade da saúde dos pacientes atendidos pelo serviço", sustenta o documento. Para a secretária estadual de Saúde, Laura Rosseti, o que houve foi uma "fatalidade". "A UTI tem 22 leitos. Foi um caso ocasional e uma concentração de casos gravíssimos".  A secretária nega falta de médicos e enfermeiros para atender os bebês. "Todos foram bem assistidos". Parentes de bebês que morreram contestam Rosseti, afirmando que não havia médicos nem para fazer o parto, além de demora no atendimento.

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