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Ministério quer reduzir cesáreas, mas evita fazer restrições

Dados indicam que 84% dos partos realizados na rede particular de saúde são feitos por meio de cesárea

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

04 Abril 2016 | 22h06

BRASÍLIA - Depois de dois anos de discussão o Ministério da Saúde publicou o protocolo com diretrizes para partos no País numa versão esvaziada. O documento, que foi criado para tentar reduzir o alto número de cesáreas realizadas no País, não traz um dos pontos considerados mais polêmicos - e, para defensores do parto normal, o mais eficaz: a restrição à cesárea “a pedido”.

“Decidimos tirar todos os pontos em que não havia um consenso”, afirmou o secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Alberto Beltrame. Ele observa que o assunto ainda é delicado, mexe com vários pontos ligados à cultura do brasileiro. “Este é o primeiro passo. Procuramos mostrar que medidas são necessárias para reduzir o número de cesáreas no País, que há muito ultrapassou o limite da razoabilidade.”

Dados indicam que 84% dos partos realizados na rede particular de saúde são feitos por meio de cesárea. Na rede pública, o porcentual é de 40% - um índice que vem crescendo ao longo dos anos. “A ideia do documento é retirar da cesárea a falsa ideia de que ela é inócua, de que ela pode ser glamourizada. Ela traz riscos para mãe, para bebês”, completa.

A retirada da restrição da cesárea “a pedido” - feita quando não há nenhuma indicação médica para a escolha do procedimento - foi considerada uma medida tática por Beltrame. “A primeira tarefa do protocolo é divulgar informações sobre os riscos de cada parto. Se a mulher for informada, há possibilidade de haver uma redução do número de cesáreas que não são necessárias.”

Outro ponto polêmico retirado foi a dispensa da necessidade de um pediatra na sala do parto, como constava na primeira versão do texto, enviado para consulta pública. Na versão atual, o pediatra é considerado importante e somente pode ser dispensado em casos de extrema necessidade.

As regras preconizadas pelo documento não são obrigatórias. “O ideal, no entanto, é que profissionais procurem se nortear por essas orientações. Elas foram inspiradas em práticas consideradas importantes em outros países”, completou.

Uma versão para gestantes, com linguagem mais simplificada, deverá ser feita e colocada a disposição em consultórios e postos de atendimento da rede pública de saúde. No documento consta, por exemplo, que a cesariana não é recomendada como forma de prevenção da transmissão da gestante para o bebê dos vírus da hepatite B e C ou como opção de parto para mulheres obesas. Esse tipo de procedimento, no entanto, é indicado para aquelas que já fizeram três ou mais cesarianas, para gestantes que tiveram herpes durante o terceiro trimestre de gestação ou para aquelas com HIV.

 

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