Tiago Queiroz/ Estadão
Tiago Queiroz/ Estadão

Ministério quer usar 'postos remotos de coleta' para fazer 50 mil testes de covid-19 por dia

Plano também prevê que um atendente ou até mesmo uma gravação entre em contato com a população, por telefone, para checar a situação da saúde

André Borges, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2020 | 21h01

O Ministério da Saúde pretende espalhar "centros de coleta de emergência" por todo o País, para acelerar a realização de testes de coronavírus para casos leves, ou seja, pessoas que apresentaram alguns sintomas menos graves da doença e que precisam fazer o exame para checar a situação de sua saúde. A ideia é fazer até 50 mil testes por dia. Hoje, o volume que o País tem feito é de apenas 4.200 testes diários, em média.

A informação foi dada neste sábado, 11, pelo secretário de vigilância em saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Kleber de Oliveira. "Não é verdade que estamos testando pouco no Brasil. O que nós vamos fazer é testar mais, baseado numa estratégia de centros de coleta de emergência, com postos volantes para os casos leves", disse.

O plano do Ministério da Saúde prevê que um atendente ou até mesmo uma gravação entre em contato com a população, por telefone, para checar a situação da saúde, sintomas e eventual necessidade de fazer o teste. "A partir daí, seja por meio do robô ou de profissionais, pelo aplicativo ou na unidade de saúde, a pessoa vai ser orientada a procurar uma dessas unidades de coleta, a partir de seus sintomas", comentou Wanderson.

"Na unidade, vai ser coletada a amostra da pessoa. O resultado vai chegar para ela em até 36 horas depois, pelo celular. Queremos que esse prazo seja até menor, de até 24 horas", disse.

Segundo o secretário de vigilância em saúde do Ministério da Saúde, o teste de casos leves ainda não está funcionando porque depende da instalação de máquinas e do "parceiro privado que ganhar a concorrência pública" lançada para o serviço.

Há previsão de que um piloto do serviço seja realizado nos próximos dias com a população da região de Curitiba, no Paraná, e do Rio de Janeiro, com utilização de máquinas da Fundação Oswaldo Cruz. "Estamos em parceria com o Instituto Butantã e o Estado de São Paulo, que vai concentrar a maior rede de testagem. A gente vai chegar ao ponto de testar entre 30 mil e 50 mil amostras por dia. Hoje nós fazemos em média 4.200 amostras por dia", disse Wanderson.

A promessa de testes em massa não prevê, porém, que toda a população do país será testada. "Estamos fazendo o máximo possível de acordo com o que é possível. Pode ter certeza que teremos teste em quantidade suficiente para realizar a avaliação do cenário epidemiológico", disse Wanderson. “O que eu posso garantir para vocês é que nós não teremos testes para todas as pessoas. Os testes são para conhecer a epidemia e para algumas regiões do País, para que a gente possa tomar a decisão baseado na evidência mais robusta possível." 

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