Corinna Kern/REUTERS - 22/11/2021
Corinna Kern/REUTERS - 22/11/2021

Mesmo após aval da Anvisa, Ministério da Saúde abre consulta pública sobre vacinação infantil

Contribuições poderão ser enviadas à pasta até 2 de janeiro de 2022; imunização na faixa etária de 5 a 11 anos é segura e eficaz contra a covid-19, mostram estudos

Guilherme Pimenta e Sandra Manfrini, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2021 | 13h05
Atualizado 22 de dezembro de 2021 | 13h12

BRASÍLIA - O Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira, 22, que abrirá uma consulta pública sobre a vacinação infantil contra a Covid-19 a partir desta quinta-feira, 23, mesmo após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já ter dado aval à imunização de crianças. Segundo o texto publicado nesta manhã no Diário Oficial da União (DOU), poderão ser feitas contribuições a partir de amanhã no site da pasta. 

As contribuições poderão ser enviadas à pasta até 2 de janeiro de 2022. O despacho é assinado por Rosana Leite de Melo, secretária extraordinária de enfrentamento à covid-19.  Na segunda, 20, o ministro Marcelo Queiroga havia dito que a "pressa é inimiga da perfeição" e que colocaria o tema para avaliação da sociedade.

A imunização de crianças de 5 a 11 anos com doses pediátricas da Pfizer já foi aprovada pela Anvisa, mas ainda não tem data para começar no Brasil. A iniciativa, que tem base científica, foi criticada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). Estudos já mostraram que o uso do imunizante nesta faixa etária é seguro e eficaz contra o coronavírus. 

Crítico à vacinação, o Bolsonaro chegou a defender a divulgação do nome dos servidores da Anvisa que deram aval à imunização às crianças. Os servidores do órgão, então, passaram a sofrer ameaças, que estão sendo investigadas pela Polícia Federal. Na última sexta-feira, 17, o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, e os quatro membros da diretoria da agência divulgaram uma nota repudiando as falas do presidente da República.

"A Anvisa está sempre pronta a atender demandas por informações, mas repudia e repele com veemência qualquer ameaça, explícita ou velada, que venha constranger, intimidar ou comprometer o livre exercício das atividades regulatórias e o sustento de nossas vidas e famílias: o nosso trabalho, que é proteger a saúde do cidadão", respondeu o órgão em nota. Dias depois, os diretores receberam novas ameaças e solicitaram proteção policial. Além da Anvisa, a Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI), do próprio Ministério da Saúde, disse ser favorável à vacinação infantil.

Conforme revelou o Estadão, até meados de maio deste ano, 948 pessoas de zero a nove anos morreram de covid no Brasil - o que fez o País ficar em segundo lugar no ranking de crianças vítimas da doença. Isso significa que a cada um milhão de crianças nessa faixa etária, 32 perderam a vida para a covid em solo brasileiro.

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