Ministro da Saúde descarta restringir voos ao México

Temporão reafirma que o Brasil tem estoques de medicamentos para tratar, inialmente , até 9 mi de pessoas

Fabiana Cimieri, O Estado de S. Paulo

01 Maio 2009 | 13h22

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, descartou nesta sexta-feira, 1, por enquanto, o estabelecimento de restrições ao tráfego aéreo ou de pessoas vindas do México, onde se iniciou a epidemia de gripe suína que se espalha por outros países. "Estamos seguindo rigorosamente as recomendações da OMS, que ainda não fez nenhuma restrição nesse sentido", disse. O ministro voltou a afirmar que, apesar de o vírus não ter chegado à América do Sul, o Brasil tem estoques de medicamentos para tratar, inicialmente, até 9 milhões de pessoas.

 

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Temporão afirmou ainda que pretende convocar para a semana que vem uma reunião com autoridades de saúde da América do Sul e discutir medidas de conter o novo vírus da gripe H1N1. "Estou querendo programar para semana que vem, em Brasília, uma reunião com os ministros da Saúde da América do Sul para definir uma ação conjunta", disse Temporão a jornalistas após a inauguração de um centro de reabilitação da Rede Sarah no Rio de Janeiro.

 

"Não há motivo para pânico no momento, não há sentido nenhum agora em comprar máscaras ou buscar medicamentos contra a gripe. A automedicação pode ser até um risco para a gripe", disse. O ministro ainda criticou a demora da Organização Mundial da Saúde (OMS) em comunicar a disseminação da doença. "A OMS demorou a avisar o mundo. Isso só foi realizado na madrugada de sábado", disse.

 

Plano contra a gripe

 

Diante da declaração da Organização Mundial da Saúde sobre a iminência de uma pandemia de gripe suína - gripe A (H1N1), como rebatizou na véspera a entidade -, o Sistema Único de Saúde brasileiro acelerou a implantação do plano de contingência da doença, que ainda não se manifestou no País. A organização de leitos de isolamento em unidades de referência para eventuais doentes é uma das prioridades. O Brasil tem 4 casos suspeitos da gripe e 42 em investigação e na quarta-feira o governo federal decidiu monitorar todos os voos internacionais como medida preventiva.

 

A questão dos leitos de isolamento já era uma preocupação quando o Brasil concluiu, em 2006, conforme recomendação da OMS, seu plano de contingência de uma pandemia de gripe, onde informava que o SUS detinha 40,3% dos leitos de isolamento do País (3.325), além de uma concentração das vagas no Sudeste, em razão de a região tradicionalmente ter maior oferta de serviços e tecnologias. Também destacava que, no que se refere à infraestrutura, de 47 hospitais apresentados como referência pelos Estados, apenas 10 apresentavam unidade de isolamento respiratório adequada, e pedia que em caso de pandemia os problemas fossem levados em conta pelas secretarias ao indicar unidades de atendimento.

 

Segundo o Ministério da Saúde, o número de unidades de referência hoje chega a 52 - pelo menos uma para cada Estado. A pasta não comentou a situação atual das áreas de isolamento. Estados consultados informaram que já estão tomando providências para ter a infraestrutura requisitada e que os leitos estão adequados.

 

Em São Paulo, a Secretaria Estadual da Saúde anunciou nesta semana a oferta de 160 leitos e diz que poderá aumentá-los, se necessário. No Rio, o secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, disse estar "esvaziando" leitos de UTI da emergência de infectologia do Instituto de Assistência dos Servidores do Estado (Iaserj), no centro, com transferências para outros hospitais. Para isso, ele requisitou oficialmente dois leitos de UTI em cada unidade das redes municipal, estadual e federal no Rio. Até ontem, havia 10 leitos no Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec),vinculado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e outros dez do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio.

 

Côrtes disse ainda que, se preciso, cirurgias eletivas "obviamente serão retardadas". Além do Ipec e do Iaserj, pelo menos 20 leitos do Hospital Universitário Pedro Ernesto serão preparados para "ficar de stand by (de prontidão)". "A primeira orientação é de tranquilidade. Todas as medidas possíveis estão sendo tomadas"

 

Na Bahia, que tinha quatro leitos, o secretário estadual da Saúde, Jorge Solla, informou que uma enfermaria do hospital de referência Otávio Mangabeira foi esvaziada para receber eventuais doentes. Outros leitos estão sendo preparados em mais dois hospitais. "Em breve teremos 24 vagas."

 

O Estado do Paraná diz já contar com 28 leitos e está organizando uma rede de retaguarda que estabelece no mínimo um hospital de referência para cada uma das 22 Regionais de Saúde do Estado.

 

O Pará informou ter cinco leitos disponíveis e que deveria ontem mesmo iniciar conversas com a rede de planos de saúde - o plano de contingência prevê requisição de vagas privadas.

 

O Amazonas informou já ter 16 leitos e que está trabalhando para ampliá-los. "O maior desafio neste nível de alerta é que ainda não temos ideia da demanda e precisamos adaptar a uma rede que já tem muita demanda", afirma Evandro Melo, diretor presidente da Fundação de Vigilância em Saúde do Estado. Segundo ele, o órgão já fez consultoria jurídica sobre medidas contra pacientes que não queiram se tratar.

 

O Brasil receberá nos próximos dias kits prontos para o diagnóstico de gripe suína, enviados pela Organização Pan-Americana de Saúde. Na quinta, o ministro da Saúde, José Temporão, havia afirmado que testes feitos no Brasil, estariam prontos em até 10 dias. Com a chegada dos kits prontos, a confirmação ou descarte dos casos será acelerada.

 

(Com O Estado de S. Paulo e Reuters)

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