Ministério da Saúde/Instagram/Reprodução
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Ministro da Saúde pede desculpas por declaração sobre ida de homens ao médico

Ricardo Barros afirmou que homens procuram menos ajuda médica porque trabalham mais que mulheres e são provedores das casas; dados do IBGE mostram o inverso

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

12 Agosto 2016 | 12h20

SÃO PAULO - O ministro da Saúde, Ricardo Barros, divulgou nota nesta sexta-feira, 12, pedindo desculpas “se foi mal interpretado” ao dizer na quinta que homens trabalham mais que mulheres.

No lançamento de guias do Pré-Natal do Parceiro, que incentivam que homens façam exames preventivos ao acompanhar suas mulheres em consultas durante a gravidez, ele afirmou que os homens “trabalham mais do que as mulheres e são os provedores” das casas brasileiras. E esse seria o motivo de eles não buscarem assistência médica.

Na nota desta sexta, Barros justificou que sua afirmação usou como base o número de homens no mercado de trabalho, de acordo com a pesquisa Síntese de Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ela aponta que, entre as pessoas de 16 anos ou mais ocupadas na semana de referência, 53,7 milhões são homens e 39,7 milhões, mulheres. Já a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2014 mostra que a jornada feminina tem cinco horas a mais do que a masculina, quando a ocupação remunerada é somada com as atividades feitas dentro de casa.

“As mulheres, além de trabalhar fora, têm as tarefas de casa, cuidam da família e ainda arrumam tempo para cuidar da saúde. A campanha que lançamos quer espelhar esse exemplo das mulheres”, diz Barros. O levantamento do ministério apontou que 31% dos homens afirmaram não ter o hábito de ir às unidades de saúde para buscar auxílio na prevenção de doenças e 55% deles justificaram que não vão ao médico porque nunca precisaram.

O ministro finaliza a nota afirmando que o objetivo da campanha é mudar o comportamento dos homens. “Dentro de todas as tarefas diárias, ainda deve ser reservado um tempo para pensar na prevenção de doenças e na melhoria da qualidade de vida. Queremos que os homens aprendam a cuidar da saúde, como as mulheres fazem bem.”

Em casa. A declaração causou críticas nas redes sociais até da filha do ministro, a deputada estadual do Paraná Maria Victória Borghetti Barros (PP), que publicou um vídeo na internet dando um “puxão de orelha” no ministro ao dizer que ela e a mãe, a vice-governadora do Estado do Paraná, Cida Borghetti, trabalham tanto quanto ele.

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