Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Ministro da Saúde questiona reportagem; 'Estado' afirma que não cometeu erro

Matéria trata sobre o número de leitos habilitados como preparação para a chegada da epidemia de coronavírus

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2020 | 17h33

SÃO PAULO - O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, questionou na última sexta-feira, dia 13, durante entrevista coletiva em São Paulo, matéria publicada pelo Estado na última quinta-feira, 12. O ministro disse que a reportagem "Ministério da Saúde só cria 10% de novos leitos prometidos para coronavírus" estava errada. O Estado afirma que o conteúdo da reportagem se baseou em resposta oficial dada pelo próprio ministério.

Posteriormente, e somente após pedido da redação feito na sexta-feira às 21h40, o Ministério da Saúde se manifestou oficialmente. Uma carta à redação foi enviada já às 2h29 do sábado, dia 14. Assinada por Ugo Braga, diretor de comunicação social do Ministério da Saúde, a nota argumenta que ao “mencionar os leitos de UTI prometidos pelo governo para reforçar a rede pública durante a epidemia de coronavírus, o jornal usa dados de leitos habilitados pelo Ministério da Saúde a pedido dos municípios”. 

A nota oficial informa que leitos habilitados fazem parte da rotina do Sistema Único de Saúde (SUS) e são habilitados sob demanda dos municípios junto ao governo federal, compondo, assim, a rede física já instalada. “O Ministério da Saúde zerou em dezembro de 2019 a fila acumulada de dois anos e habilitou 600 leitos de UTI. Desde então, habilitou mais 100 pedidos. São a esses 100 leitos que o Estadão erradamente se referiu na citada matéria”, afirma a nota.

Para Entender

Coronavírus: veja o que já se sabe sobre a doença

Doença está deixando vítimas na Ásia e já foi diagnosticada em outros continentes; Organização Mundial da Saúde está em alerta para evitar epidemia

O Ministério informa ainda que esses 100 leitos nada tem a ver com os outros 1.000, planejados para o combate ao coronavírus - número atualizado para 2000. “Tais leitos adicionais são alugados pelo Ministério da Saúde e poderão ser instalados em qualquer hospital do SUS, a depender da dinâmica da epidemia.”

O Estado, em respeito à transparência que sempre pautou sua conduta, torna pública as argumentações do ministério, quando elas finalmente se tornaram públicas, mas afirma  que não cometeu erro. E esclarece que a constatação principal da matéria parte de informações dadas pelo próprio ministério. Por meio de sua assessoria de imprensa. Se houve erro, ele foi provocado pelo conteúdo da resposta dada pelo próprio ministério. 

Em e-mail enviado para a assessoria do Ministério da Saúde na quarta-feira, 11, às 15h49, consta, entre outras, a seguinte pergunta: “O ministério diz que haverá a contratação de mil leitos extras de UTI, medida que já havia sido anunciada algumas semanas atrás. Gostaria de saber se esse edital de contratação já foi lançado (não achei nada no Diário Oficial). Caso já tenha sido, qual é o período para conclusão, custo e quem deverão ser os fornecedores desses leitos extras? Serão leitos novos ou leitos contratados de hospitais privados?”     

Para a pergunta, a resposta do ministério, em email enviado para redação na quarta-feira, 11 de março, às 18h16, foi a seguinte: “No que se refere a leitos de terapia intensiva, o Ministério da Saúde já atendeu o pedido de habilitação de 100 leitos e está em processo de contratação de 1.000 leitos de terapia intensiva de forma emergencial para o planejamento e preparação para emergência de saúde pública. Esses leitos serão usados para o coronavírus à medida da necessidade. Cabe ressaltar que leitos de terapia intensiva podem ser instalados rapidamente, bastando ajustes com a adequação elétrica e tubulação de gases, sem a necessidade de maiores reformas estruturantes.” Parte desta resposta consta, inclusive, da reportagem publicada no dia 12. 

Na entrevista coletiva, o ministro, ao questionar a reportagem, afirmou que os 1000 leitos estavam contratados, apenas esperando instalação, o que dependeria da demanda dos estados. A informação é diferente do que constava na primeira nota, enviada em 11 de março.

Após o questionamento público feito por Luiz Henrique Mandetta, o Estado, presente à coletiva da última sexta-feira, tentou questioná-lo pessoalmente a fim de entender a que ele se referiu ao criticar o conteúdo da matéria, mas o ministro, não atendeu a reportagem. Após essa negativa, a redação entrou em contato oficialmente com a assessoria do Ministério e, mais uma vez, reitera que está à disposição para qualquer esclarecimento adicional.

Tudo o que sabemos sobre:
Ministério da Saúdecoronavírus

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.