Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Ministro recomenda calça comprida evitar zika vírus

Segundo Marcelo Castro, preocupação central do governo é com mulheres no período fértil e nos três primeiros meses de gravidez

Carla Araújo e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2015 | 22h44

BRASÍLIA - Depois de dizer que “sexo é para amadores e gravidez é para profissionais", o ministro da Saúde, Marcelo Castro, deu mais uma declaração polêmica em relação às formas que devem ser utilizadas para evitar uma epidemia ainda maior do zika vírus e orientou que as mulheres vistam calças compridas. “Eu percebo que os homens se protegem. As mulheres normalmente ficam de perna de fora e quando usam calça, usam sandália. E o mosquito é um tanto tímido, não é tão agressivo quanto pernilongo. Ele chega devagar e encosta nas extremidades”, disse.

Segundo o ministro, a preocupação central do governo é com mulheres no período fértil e nos três primeiros meses de gravidez, já que o zika vírus já foi apontado como responsável pelo aumento de casos de microcefalia no País. “Nossa recomendação essencial, sobretudo mulheres nos três primeiros meses de gestação, é evitar de todas as maneiras o contato com mosquito, de calça comprida, roupa, sapatos”, completou.

Entre as ações que serão adotadas pelo governo está a orientação de colocar larvicidas na água transportada pelos caminhões-pipa no Nordeste. “Por causa da seca, as pessoas acumulam água em vasilhames para utilizar e esses vasilhames estão sendo hoje o principal criadouro dos mosquitos”, disse.

Castro participou ao lado da presidente da presidente Dilma Rousseff de reunião com governadores, no Palácio no Planalto, para tratar do Plano Nacional de Enfrentamento à microcefalia, lançado no sábado, 5, no Recife. A epidemia, segundo o governo, já atinge 16 Estados e pode se alastrar pelo País.  

Na reunião, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse que pediu para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizasse a liberação da fase 3 da vacina contra dengue, produzida pelo Instituto Butantã, em São Paulo. Tanto a dengue quanto a zika são transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. “O processo encontra-se parado na agência e o cenário traçado pelo ministério é que mesmo com a liberação essa vacina estaria disponível somente em 2018”, disse.

Castro reconheceu que a vacina da dengue que o Instituto Butantã está desenvolvendo ainda não chegou na fase que pode ser utilizada e disse  que “as novas tecnologias não estão à nossa mão”. “E vacina pra zika não tem ainda nenhum estudo que temos conhecimento no mundo inteiro. Isso levaria muitos anos.”

 

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