Aijaz Rahi/AP
Aijaz Rahi/AP

Ministro diz que São Paulo eliminou transmissão do HIV de mãe para filho

Eliminação da infecção do vírus de mãe para o filho durante a gestação, parto ou aleitamento está entre as prioridades do Ministério da Saúde

Isabela Palhares, Paula Felix e Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2019 | 12h51
Atualizado 14 de novembro de 2019 | 20h24

SÃO PAULO - A cidade de São Paulo conseguiu eliminar a transmissão do HIV de mãe para filho. Nesta quarta-feira, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, anunciou ao prefeito Bruno Covas que o município vai receber o Certificado de Eliminação da Transmissão Vertical do HIV. A capital paulista é a terceira cidade do País a receber a certificação -  a primeira foi Curitiba, em 2017. 

A eliminação da infecção do vírus de mãe para o filho durante o período da gestação, no parto ou pelo aleitamento materno está entre as prioridades do Ministério da Saúde para controle das infecções sexualmente transmíssiveis. 

Em sua conta no Instagram, o prefeito Bruno Covas (PSDB) publicou um vídeo comentando a conquista do certificado. "Recebi ontem a confirmação do ministro da Saúde que a cidade de São Paulo será certificada com o fim da chamada transmissão vertical da Aids, ou seja, aqui em São Paulo, por conta de uma série de políticas públicas que vêm sendo adotadas ao longo dos anos, que foram mantidas e ampliadas na nossa gestão, acabou a transmissão que é feita da mãe para o filho, para o feto, para a criança."

No vídeo, gravado no Hospital Sírio-Libanês, onde ele faz tratamento contra um câncer, ele diz ainda que a capital é a terceira cidade do País a receber o reconhecimento. "Isso é uma grande conquista para a cidade", disse. Covas elogiou ainda os profissionais da Secretaria Municipal de Saúde e ONGs que atuam com o tema.

Além de Curitiba, apenas o município de Umuarama, também no Paraná, conseguiu erradicar esse tipo de transmissão. O Brasil é signatário do compromisso mundial de eliminar a transmissão vertical do HIV. 

A certificação é dada para municípios com mais de 100 mil habitantes e que tenham taxa de detecção de HIV inferior a 0,3 caso por mil nascidos vivos, e proporção anual inferior a 2% de crianças expostas ao vírus que soroconverteram (quando tornam-se positivas para o HIV).

Ainda é exigido que, nos últimos dois anos, mais de 95% das gestantes tenham realizado pelo menos quatro consultas de pré-natal, que mais de 95% das gestantes tenham realizado pelo menos um teste de HIV, que pelo menos 95% das gestantes diagnosticadas com HIV estejam em uso de terapia antirretroviral (TARV) e que pelo menos 95% das crianças expostas ao HIV estejam em uso de TARV.

De acordo com Jean Gorinchteyn, infectologista do Instituto Emílio Ribas, o feito alcançado pela cidade é um bom indicativo de que o sistema público tem seguido os protocolos quanto ao cuidado da gestante. "Chegar nesse ponto de eliminar a transmissão vertical mostra a eficácia do serviço de saúde em fazer a testagem das mulheres grávidas, iniciar precocemente o tratamento antirretroviral naquelas diagnosticadas com HIV e agir corretamente sobre o parto e o aleitamento", diz.

Ele explica que, para diminuir o risco de transmissão vertical, a mulher precisa passar pelo tratamento antirretroviral para que o vírus HIV fique em nível indetectável e não pode ter parto normal nem amamentar a criança. "O bebê, após nascer, também tem que tomar antirretrovirais por 18 meses", afirma.

Dados

Os últimos dados epidemiológicos de HIV/Aids da capital paulista mostram que as taxas de incidência de crianças infectadas em 2015, 2016 e 2017 foram de 0,05, 0,03 e 0,05 por 1.000 nascidos vivos, respectivamente. Já as proporções anuais entre crianças expostas e as vivendo com HIV foram de 2%, 1% e 2% em 2015, 2016 e 2017, respectivamente.

De 22 a 24 de outubro deste ano, a Comissão Nacional de Validação (CNV) da Certificação da Eliminação da Transmissão Vertical do HIV, do MS, esteve em São Paulo para auditar e visitar hospitais, Unidades Básicas de Saúde (UBS), serviços especializados em DST/Aids e laboratórios, bem como verificar dados e documentos e ainda entrevistar gestores, profissionais da saúde, representantes da sociedade civil e usuários dos serviços.

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 17 países e territórios nas Américas conseguiram eliminar a transmissão de mãe para filho do HIV e da sífilis. Entre eles estão os Estados Unidos, Canadá e Chile. O Brasil faz parte das nações que tiveram progresso nos últimos anos e está próximo da eliminação.

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