Ministro estima 100 mil pessoas com gripe suína na Argentina

Declarações causaram polêmica no país, já que total confirmado, no mundo inteiro, é de cerca de 90 mil

Marcia Carmo, BBC

03 Julho 2009 | 17h54

Proporção de casos autóctones de H1N1 chega a 30%O ministro da Saúde da Argentina, Juan Manzur, estimou nesta sexta-feira que exista um total aproximado de 100 mil pessoas infectadas com a gripe suína em território argentino.

Segundo Manzur, já foram confirmados 2,8 mil casos da doença no país e 44 mortes relacionadas a ela.

"Desde que o vírus entrou no nosso território, há seis semanas, estimamos cerca de 100 mil pessoas infectadas com o H1N1 no país", disse.

As declarações do Ministro, que é médico e foi empossado na quarta-feira, geraram polêmicas.

O secretário de Saúde da província de Buenos Aires, Claudio Zin, sugeriu que a estimativa é difícil de comprovar, já que no mundo inteiro existem 80 mil casos confirmados.

Manzur, no entanto, defendeu as projeções e rebateu as críticas.

"Zin tem razão sobre os 80 mil casos confirmados no mundo, mas a nossa projeção aqui foi feita a partir dos números das outras gripes que historicamente tivemos no inverno. E neste inverno o vírus mais presente é o da gripe suína", afirmou.

Responsabilidade

A declaração do novo ministro foi manchete do jornal argentino La Nación. Além disso, ele reiterou a estimativa sobre os 100 mil casos em pelo menos três ocasiões nesta sexta-feira.  

 

Ele citou os números novamente durante entrevistas à rádio Diez, ao canal TN (Todo Notícias) e ao lado da presidente Cristina Kirchner e de Zin num hospital preparado para receber doentes da nova gripe.

Diante das câmeras de televisão, a presidente criticou a imprensa pela cobertura da gripe suína.

"Um jornal que coloca 100 mil infectados na manchete só gera pânico na população. É preciso ter responsabilidade", disse Cristina.

Cristina Kirchner afirmou que os lugares públicos continuarão abertos, mas "nada pode ser descartado" devido à doença.

Prevenção

Manzur tomou posse na quarta-feira, dois dias após a renúncia da então ministra da pasta, Graciela Ocanã.

Diariamente, Estados e municípios argentinos adotam medidas diante do avanço de casos da doença.

O novo ministro recomendou, logo após ser empossado, que as aulas fossem suspensas em todas as escolas do país e que grávidas recebessem licença no emprego.

Os governos da cidade e da província de Buenos Aires anunciaram licença de quinze dias para os pais com filhos até 14 anos de idade que não tenham com quem deixá-los diante da suspensão das aulas.

Alguns municípios decidiram fechar as portas do comércio e algumas salas de cinema passaram a vender a metade das entradas para evitar salas lotadas.

Nos teatros de Buenos Aires, funcionários desinfetam as instalações e há campanha para que o público não desista de assistir aos espetáculos.

Diante das decisões dos setores público e privado, economistas começam a especular sobre o impacto da nova gripe na economia argentina, reforçando a expectativa de queda no Produto Interno Bruto (PIB) em 2009.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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