Reprodução/ Facebook Giovani Cherini
Reprodução/ Facebook Giovani Cherini

Ministro interino da Saúde recebe defensores de aplicação retal de ozônio para tratar covid-19

Prática ganhou notoriedade após defesa feita pelo prefeito de Itajaí de aplicação do tratamento, que ainda não é comprovado

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2020 | 18h04

Correções: 06/08/2020 | 20h31

O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, recebeu na última segunda-feira, 3, defensores do uso do ozônio como forma de tratamento para o novo coronavírus. O deputado Giovani Cherini (PL-RS) participou do encontro e apresentou o projeto de tratamento da Ozonioterapia em pacientes com covid-19. A prática ganhou notoriedade após o prefeito de Itajaí (SC), Volnei Morastoni, defender a aplicação de ozônio, pelo ânus, em casos que tiveram diagnóstico do novo coronavírus. 

Segundo Cherini, hospitais do Rio Grande do Sul já estão implantando a ‘Ozonioterapia’ como opção de tratamento. “Um deles é o Hospital Vila Nova, de Porto Alegre”, afirma. O grupo foi liderado pela médica Maria Emília Gadelha Serra. Nas redes sociais, ela comemorou: “Ozonioterapia na Saúde!”, em foto ao lado de Pazuello. 

Participaram da reunião, o assessor parlamentar da pasta, Gustavo Machado Pires, e o diretor do Departamento de Gestão da Educação na Saúde (Deges), Vinícius Nunes Azevedo. 

 

OZONIOTERAPIA NA SAÚDE ! Nesta tarde, em Brasília, realizamos mais uma reunião com o Ministro da Saúde, Eduardo... Publicado por Giovani Cherini em  Segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Especialistas da área de saúde

Médicos analisam com preocupação a aplicação retal de ozônio como tratamento para pacientes com covid-19. "Esta medida tem nenhuma evidência científica. Até o momento, não temos nenhum medicamento comprovadamente eficaz e seguro nem para a prevenção nem para o tratamento da doença", afirma Leonardo Weissmann, consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia).

Segundo o infectologista, ações preventivas continuam sendo fundamentais para reduzir o número de casos. "Medidas de distanciamento de 1,5 a 2 metros entre as pessoas, o uso de máscaras de proteção facial por todos, além de lavar frequentemente as mãos com água e sabão ou usar o álcool gel a 70%."

"Se alguém sugere algum tratamento fora do usual, precisa ter justificativa técnica que explique o tratamento. Os experimentos com ozônio não tem nenhuma base científica ou lógica que consigam explicar sua ação no coronavírus", avalia Lauro Ferreira Pinto Neto, infectologista da SBI e professor da Santa Casa de Vitória.

Em nota, o Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC) afirmou que médicos estão proibidos de prescrever ozonioterapia dentro de consultórios e hospitais por força de uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM 2181/2018).  “A exceção pode acontecer em caso de participação dos pacientes em estudos de caráter experimental, com base em protocolos clínicos e critérios definidos pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa”, indicou o órgão em nota.

Correções
06/08/2020 | 20h31

Uma versão anterior desta reportagem informava que o deputado Osmar Terra (MDB-RS) também esteve reunido com o ministro interino. Porém, ele não participou da reunião sobre o uso do ozônio como forma de tratamento para o novo coronavírus. Na versão anterior, não havia ficado claro essa informação.

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