Moda de ioga e Pilates juntos chega ao Brasil

Enquanto o americano Jonathan Urla dita as posições do Yogilates, uma professora brasileira traduz seus comandos para 15 alunos, atentos ao inventor da técnica. De repente ele interrompe a aula e adverte uma aluna. "Quem masca chiclete consegue fazer os exercícios de respiração corretamente?", pergunta. Urla veio ao Brasil divulgar sua técnica e formar futuros professores. Buscou inspiração na ioga, exercícios físicos que exigem concentração e meditação, para criar o Yogilates, marca registrada por ele. Na Austrália, existe prática semelhante: o Yogalates. O americano notou as semelhanças entre a Hatha Ioga e os exercícios de chão criados pelo alemão Joseph H. Pilates, após fazer as duas aulas em seqüência. Pilates é uma técnica de exercícios indicados para a correção das alterações posturais que exige precisão e força, auxilia a concentração, coordenação motora e consciência corporal. Pode ser feito com aparelhos, bolas ou no chão. Urla criou, assim, uma técnica que mescla flexibilidade e leveza de movimentos aos fundamentos da Ioga, como respiração, meditação e busca do autoconhecimento através da postura. Do Pilates, Urla retirou apenas os movimentos de solo, sem aparelhos. Durante a aula, como uma hora e meia de duração, as posições vão se sucedendo sem que os alunos demonstrem sinais de cansaço. Os exercícios começam com alongamento no chão e evoluem para as posições da Hatha Ioga, sempre destacando a respiração. Sob o olhar atento de Urla, os praticantes são estimulados a encontrar seus limites de uma forma natural. "Você não faz Yogilates porque seus amigos fazem, ou para ter um corpo bonito", diz. "Faz para você, para seu corpo e sua mente." Entre os participantes, uma se destaca. É Angela Amorim, de 62 anos, 30 de Ioga. Descontraída, segue os exercícios com desenvoltura. "É interessante pois essa aula consegue unir a Ioga aos exercícios de chão, sem forçar a resistência", diz. Nem todos conseguem fazer as posições e exercícios com perfeição, mas isso não é problema. Não é esse o objetivo, segundo Urla. "Mantenha a atenção, ouça seu corpo e a respiração", diz. "Assim você mede a sua capacidade. Não importa o número de posições que consiga fazer." Um dos mais aplicados é o francês Guillaume Bouvyer, de 47 anos. "Praticava o Ashtánga Ioga, mas era forte demais para mim", diz . "Essa aula é melhor para o meu ritmo, pois sou hiperativo." No fim da aula, os praticantes do Yogilates fazem a saudação ao Sol. Com uma música indiana ao fundo, Urla pede que se entreguem aos movimentos e "percam" seus pensamentos. Em pé, mãos juntas em frente ao peito, respiram lentamente e meditam olhando para o Sol do fim de tarde paulistana. Restrições - Há quem faça restrições ao método de Urla. A professora de Ioga Katherine Lobos é uma delas. Recém-chegada da Índia, onde teve aulas de Ashtánga Ioga com o mestre indiano Sri Pattabhi Jois (o guru de estrelas como Madonna e Sting) ressalta a importância das tradições da Ioga. "Ioga já é uma prática completa, não há mais nada a acrescentar a ela", diz. O fisioterapeuta Alexandre Victoni faz algumas ressalvas à união do Pilates e da Ioga. Apesar de semelhantes em alguns aspectos, como a respiração, elas mantêm suas particularidades. "A respiração nas duas práticas é diferente, com objetivos diferentes", diz. "O mais indicado é praticar as duas separadas, pois são técnicas que se complementam."

Agencia Estado,

17 de março de 2006 | 11h00

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