WERTHER SANTANA/ESTADÃO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Modelo de máscara a ser usado e ritmo do exercício são fatores importantes

Atividades externas, mesmo que menos arriscadas do que em academias, pedem manutenção de medidas

João Ker, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2021 | 05h00

De acordo com a médica do esporte e presidente da Sociedade Paulista de Medicina Desportiva (SPAMDE), Ana Paula Simões, o uso de máscara durante a atividade física precisa ser monitorado com cuidado pela própria pessoa. “Quando começar a sentir muita palpitação e ficar cansado, dá uma parada, respira, pausa embaixo de uma árvore. Começou a sentir falta de ar, para.”

A médica afirma que modelos “respiráveis”, com furinhos, ou as máscaras com respirador (círculos na lateral) ajudam melhor na respiração, mas reconhece que os modelos são mais caros. 

Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, alerta que a disseminação de partículas de suor e saliva pode ser maior durante a prática de esportes. “Faz bem pro corpo e pra mente, desde que com segurança. Pela atividade física, você tem uma respiração mais forte e elimina mais partículas de suor e saliva, que vão mais longe, até cinco metros - alcançam mais do que se você estiver andando”. 

Rosana indica que algumas medidas a serem adotadas incluem escolher um horário com menos gente, manter o distanciamento e ir a locais com menos aglomerações. 

Eliseu Alves Waldman, epidemiologista e professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, aponta que, para quem sente falta de ar com a máscara, as cirúrgicas são a melhor indicação porque dificultam menos a respiração. 

“Ao ar livre, o risco ainda é bem diminuído, ao contrário das academias, por exemplo. Mas precisa manter uma certa distância das pessoas”, diz.

Ritmo

“Pisar mais leve” é a forma que Edivaldo Teixeira, de 34 anos, encontrou para contornar a falta de ar. Desde o ano passado, ele trabalha como operador logístico da Pedileve, uma empresa de e-commerce responsável também pela entrega das compras. Apesar de hoje não estar mais na função de entregador, ele continua usando a bicicleta como meio de transporte. 

“Eu mudei a forma como pedalava. No início, até tentei manter o ritmo com a máscara, mas acelero muito, com 10 minutos ela já estava encharcada e tampava a minha respiração”, explica. “Agora, eu peguei o norte das coisas e consigo fazer as coisas com máscara, desacelerei.”

Novo normal

Trabalhando como entregador de bicicleta para dois aplicativos desde o início da pandemia, Pedro Carvalho, de 29 anos, confessa que mesmo com os anos de prática na bike, ele sente dificuldade de respirar com a máscara. 

“O meu macete é colocar em cima do nariz e, se alguma pessoa chegar perto, eu abaixo”, conta. “Mas até hoje não encontrei nenhuma máscara que ajudasse na respiração, porque uso óculos e aí embaça tudo, fica pior. Os aplicativos só oferecem máscara simples, que nem dá pra prender na cabeça, só na orelha.”

Especialistas consideram máscaras uma barreira efetiva contra a propagação do novo coronavírus. Desde maio do ano passado, o uso da máscara é considerado obrigatório no Estado em espaços abertos ao público e no interior de estabelecimentos essenciais. 

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