Karina Donaria
Karina Donaria

Morador da Maré faz sucesso com vídeo sobre campanha de vacinação contra a covid-19

Jovem fez gravação com familiares e amigos para alertar a população local sobre a importância da imunização

Igor Soares, O Estado de S. Paulo

05 de agosto de 2021 | 17h59

Raphael dos Reis Vicente, de 21 anos, é morador da favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, na zona norte do Rio, e vem ganhando destaque na internet após publicar um vídeo sobre a campanha de vacinação contra o coronavírus. A realização do projeto contou com o apoio da Redes da Maré, do Dados do Bem, da SAS Brasil e da Fiocruz, que orientaram as informações sobre saúde.

De maneira descontraída e com humor, o vídeo reúne dicas para as pessoas tomarem medidas contra o avanço da doença, como a vacinação e a proteção com o uso de máscaras. Em entrevista ao Estadão, o jovem conta o processo de criação do vídeo. “Eu já estava com a ideia de produzir este conteúdo há muito tempo, mas ainda não havia feito algo parecido, até que surgiu a oportunidade junto às organizações presentes na Maré.” Ele diz que produziu o roteiro, editou e uma amiga, Karina Donaria, realizou a filmagem. 

No elenco, pessoas já conhecidas por Vicente. “Chamei meus familiares e amigos para participarem das gravações. Eles sempre estão aparecendo nos meus vídeos.” Para completar, o também diretor do grupo “Dance Maré”, colocou os dançarinos na campanha com o ritmo mais tradicional carioca: o funk. Segundo ele, havia a necessidade de mostrar a importância de seguir as medidas de segurança contra a covid-19 diante de um cenário de variantes do coronavírus registradas na cidade.

 

 

De acordo com Vicente, o vídeo caiu na graça do público por conta da linguagem popular e objetiva. “Tenho tido retornos das pessoas nas minhas redes dizendo que amaram o conteúdo.” E ressalta: "Faltam investimentos em campanhas nesse sentido, feitas de modo a fazer com que a população compreenda a situação, o que, desde o início da pandemia, não foi observado."

Por outro lado, Vicente diz que não esperava todo este alcance, uma vez que a produção era voltada, inicialmente, para alertar os moradores da Maré. “Superou as minhas expectativas.” Com locações dentro da favela, Rafael afirma que a ideia era também mostrar o uso dos becos, vielas e dos espaços públicos dos quais os moradores já conhecem no dia a dia, como escolas e a clínica da família, onde ocorre a vacinação da população local. “Gravar aqui expõe para as pessoas que é um lugar como qualquer outro, não um campo de guerra, como comentários que me mandam na internet questionando se a favela é segura.”

Não é de hoje que o jovem da Maré aparece em publicações que viralizaram na internet. Ele produz conteúdo para o universo das redes sociais há sete anos, sempre usando o humor como linguagem. 

Vicente observa que, embora houvesse uma divulgação massiva sobre os riscos da covid-19, os moradores deixaram de seguir os protocolos de segurança por um tempo. No entanto, sinaliza que o vídeo chegou em um bom momento. “As pessoas já não usavam muito máscaras e vêm relaxando ainda mais. Por isso, espero que a campanha sensibilize a população, porque a pandemia ainda não acabou, e incentive as pessoas a não abandonarem as medidas de proteção”, pontua. “Precisamos redobrar o cuidado para que acabe o quanto antes possível”, completa.

No Twitter, o vídeo já teve mais de 2,1 milhões de visualizações. O jovem que ganha a vida por meio do humor já soma mais de 270 mil seguidores no Instagram. Impulsionado pela gravação da campanha, nesta quarta-feira, 5, o humorista completou 2 milhões de seguidores no TikTok, uma rede de vídeos curtos voltada para conteúdos humorísticos.

A Fiocruz iniciou a vacinação massiva dos moradores do complexo de favelas da Maré, a fim de promover um estudo sobre os efeitos da população vacinada em relação ao número de óbitos e de casos de coronavírus. Até o último dia 3 de julho, 36 mil pessoas residentes da região haviam sido vacinadas. De acordo com o Painel Rio Covid-19, o complexo de favelas já registrou 6.872 casos e 328 mortes desde o início do monitoramento. Ainda segundo o sistema, o risco de contágio na região é considerado alto.

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