Felipe Rau / Estadão
Felipe Rau / Estadão

Moradores de Paraisópolis pedem mais apoio do governo de SP na luta contra o coronavírus

Grupo de moradores vai até o Palácio dos Bandeirantes cobrar políticas públicas em caso de lockdown na cidade de São Paulo

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2020 | 10h54

Moradores da favela de Paraisópolis, em São Paulo, realizaram uma manifestação nesta segunda-feira, 18, pedindo apoio do governo estadual às comunidades em um possível lockdown, medida que obriga a população a permanecer em casa para combater a pandemia do coronavírus. Organizados pelo grupo G10 das Favelas, associação que reúne mais de 300 favelas do País, cerca de 500 moradores, de acordo com os líderes do ato, caminharam de Paraisópolis até as proximidades do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual. 

Os manifestantes não conseguiram se aproximar do centro do poder paulistano e se reunir com o governador João Doria, como era o plano inicial do movimento. Um bloqueio da Tropa de Choque da Polícia Militar, com várias viaturas da Polícia Militar, foi montado na Avenida Morumbi, três quadras antes da entrada do palácio. Com a interdição, alguns manifestantes ficaram sentados no chão, de forma pacífica. Outros fizeram barulho batendo panelas. Depois de uma hora, o grupo se dispersou, mas continua solicitando uma reunião com o governador. "Amanhã, nós vamos novamente ao Palácio. Não vamos parar até resolver", diz Gilson Rodrigues, líder comunitário e presidente da União de Moradores e Comerciantes de Paraisópolis. 

Utilizando máscaras para proteção e protetores para o rosto (face shield), os manifestantes saíram de Paraisópolis por volta das 8h30, caminhando em fila, mantendo o distanciamento de um a dois metros. "São 60 dias da pandemia no estado de São Paulo e até hoje não se criou nenhuma política pública para as comunidades. Falta água, alimentação e saneamento básico. São problemas que já existiam, mas que se tornaram mais graves com a pandemia", disse a presidente da Associação das Mulheres de Paraisópolis, Elizandra Cerqueira. “Estamos cobrando do governo políticas públicas para o enfrentamento do Covid nas favelas”, completou.

O movimento afirma que um endurecimento de medidas de combate a pandemia, como o lockdown, pode prejudicar ainda mais pessoas em situação de vulnerabilidade. Segundo os organizadores, "as comunidades enfrentam problemas como falta de água, testes, serviço de ambulâncias, alimentação e higiene”. As comunidades estão promovendo mutirões de distribuição de cestas básicas, confecção de máscaras por artesãs locais e uso de escolas para isolamento de pessoas com sintomas leves de covid-19.

No começo da pandemia, a comunidade de Paraisópolis contratou ambulâncias, médicos e enfermeiros. Além disso, foram escolhidos 420 “presidentes de rua”, voluntários que são responsáveis por zelar por trechos de vias predefinidos, cada uma com cerca de 50 casas. Os "presidentes" monitoram se algum morador de sua região tem sintomas da covid-19 ou se precisa de atendimento médico. Outra tarefa é identificar as famílias com necessidades financeiras. Após serem identificadas, essas famílias passam a receber marmitas diárias feitas por mulheres da comunidade. São distribuídas mais de mil marmitas por dia.

Outro lado

Ao Estadão, o governo de São Paulo informou que está "realizando ações em Paraisópolis com objetivo de amenizar a crise causada pela pandemia, como distribuição de 2.550 cestas básicas, 15.625 barras de sabonetes e 100 caixas de chocolates pelo Fundo Social de São Paulo". O governo informa que serão distribuídas quatro milhões de cestas por meio do Programa Alimento Solidário.

Sobre a falta de água, outra reclamação dos moradores, o poder estadual afirma que "a Sabesp designou 1.400 caixas – d’água para as famílias do bairro, além disso clientes das categorias Residencial Social e Residencial Favela ficaram isentas do pagamento das contas de água e esgoto até junho, beneficiando 2 milhões de pessoas".

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