Morre paciente que passou 51 horas em cirurgia

'Fomos derrotados pela bactéria', lamentou o cardiologista Luís Carlos Miguita, que o atendia

Evandro Fadel, da Agência Estado,

30 de setembro de 2008 | 13h47

O gerente de vendas Onivaldo Cassiano, de 50 anos, que tinha conseguido sobreviver a uma cirurgia cardíaca que durou 51 horas e consumiu 400 bolsas de sangue, entre os dias 28 e 30 de julho, em Londrina, no norte do Paraná, morreu nesta madrugada, em razão de complicações de uma pneumonia. "Fomos derrotados pela bactéria", lamentou o cardiologista Luís Carlos Miguita, que o atendia.   Segundo o médico, depois da cirurgia, o paciente teve pequenas infecções, mas recuperou-se e recebeu alta no dia 25 de agosto. Era acompanhado tanto pela equipe da clínica cardiológica quanto a cirúrgica. "Levava uma vida praticamente normal e estava quase retornando à atividade de trabalho", afirmou.   Na quinta-feira à noite, ele procurou atendimento médico em razão de estar com febre e sentindo calafrios. Um exame de raio X detectou a pneumonia. Foi internado na Santa Casa e acompanhado também por uma equipe da infectologia, recebendo tratamento com antibióticos.   "Tinha um pouco de febre, mas segunda-feira à tarde estava bem", relatou Miguita. "Entre as oito e nove horas começou a ter alterações importantes, com queda de pressão e taquicardia, que evoluiu para um choque séptico e foi levado para a UTI."   Segundo o cardiologista, a evolução foi rápida com perdas das funções vitais, como a paralisia renal e pulmonar. Miguita ressaltou que as perdas sanguíneas e o próprio estresse pós-cirúrgico podem contribuir para esse quadro. "Há uma depressão imunológica, com baixa resistência que favorece infecções", destacou.   A cirurgia a que tinha se submetido demorou em razão de problemas na coagulação do sangue, que exigiram vários procedimentos. A morte de Cassiano foi registrada às 4 horas da madrugada. O corpo foi velado até o início da tarde em Londrina, com sepultamento programado para Jales (SP).

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