Morre primeiro paciente diagnosticado com Ebola nos EUA

Morre primeiro paciente diagnosticado com Ebola nos EUA

Thomas E. Duncan tinha viajado da Libéria ao Texas sem saber que portava vírus; morte acontece uma semana após início do tratamento

O Estado de S. Paulo

08 Outubro 2014 | 12h33

DALLAS - O primeiro paciente diagnosticado com Ebola nos Estados Unidos morreu nesta quarta-feira, 8. Thomas Eric Duncan havia viajado da Libéria ao continente americano, onde começou a apresentar sintomas de infecção. Ele passou pouco mais de uma semana internado em um hospital em Dallas, no Estado americano do Texas. A morte foi confirmada pelo hospital que o tratava.

Duncan, de 42 anos, havia auxiliado uma grávida infectada a se deslocar antes de viajar aos Estados Unidos. Em Dallas, ele chegou a ir a um hospital, mas foi mandado para casa com antibióticos, apesar de informar a uma enfermeira que havia estado na Libéria há pouco tempo. Autoridades americanas mantém vigilância sob pessoas que mantiveram contato com o homem.

A Libéria é o país africano mais afetado pelo vírus desde o início da epidemia, em março deste ano. O mais recente levantamento divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou o registro de 7.493 infectados, dos quais 3.439 morreram em cinco países africanos. A Libéria lidera as estatísticas negativas com 2.069 mortos entre 3.484 infectados.

Histórico. Duncan começou a apresentar sintomas da doença no dia 25 de setembro e procurou ajuda no Hospital Presbiteriano em Dallas. Depois de uma consulta, ele foi enviado de volta para casa com uma prescrição de antibióticos. O paciente estava no apartamento de sua namorada, onde estavam mais três pessoas. Todos conviveram com Duncan por três dias depois de a doença se manifestar, situação na qual o contágio pode ocorrer.

O sobrinho de Duncan, Josephus Weeks, disse à NBC News que telefonou para o Centro de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês), no dia 28, preocupado porque seu tio não estava recebendo o cuidado adequado. O diretor dos CDC, Thomas Frieden, ressaltou que o paciente passou pelo sensor de febre no Aeroporto de Monróvia, capital da Libéria, sem que nada fosse detectado.

Em entrevista à CNN, a namorada disse que os funcionários do hospital foram informados em duas ocasiões que Duncan havia chegado poucos dias antes da Libéria. As autoridades de saúde pública investigam por que ele foi liberado apesar de vir de uma região que está no centro do surto de Ebola.

Mark Lester, vice-presidente do consórcio que administra o Hospital Presbiteriano de Dallas, lamentou que a informação "não chegou a todo o corpo clínico".

Autoridades da Libéria tinham afirmado que Duncan seria processado por ter dito no formulário que preencheu antes de deixar o país que não havia mantido contato com pessoas portadoras do vírus nos 21 dias anteriores. Seus familiares sustentam que ele não sabia que a mulher tinha Ebola.
/AFP

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