Shysuo Araki
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Morre um dos gêmeos siameses separados esta semana em Goiânia

Arthur, de 5 anos, não resistiu aos desdobramentos da cirurgia; seu irmão, Heitor, continua na UTI e seu estado é considerado grave

Marília Assunção, Especial para o Estado

28 Fevereiro 2015 | 12h39

GOIÂNIA - O menino Arthur Brandão, de 5 anos, morreu após duas paradas cardíacas, na noite de sexta-feira, 27. Ele é um dos gêmeos siameses que passaram por uma delicada cirurgia de separação, realizada no Hospital Materno Infantil (HMI), em Goiânia, após cinco anos de preparação que exigiram oito operações de preparo, culminando em mais de 14 horas no Centro Cirúrgico entre terça-feira, 24 e quarta, 25.

Arthur não resistiu aos desdobramentos do procedimento cirúrgico que eram de alta complexidade. Os meninos apresentavam febre alta desde o dia da separação. Eles ficaram muito tempo entubados o que causou comprometimento respiratório. Os médicos já alertavam para o estado de saúde das crianças, que se manteve grave o tempo todo. 

É assim, por exemplo, em estado grave, que permanece o outro gêmeo siamês, o menino Heitor. Internado na UTI do hospital, o garoto apresenta febre alta e respira com ajuda de aparelhos, mas está consciente e pergunta pelo irmão.

Os meninos tinham nascido colados pelo abdômen, tórax e bacia, compartilhavam o fígado e a genitália, e possuíam três pernas, sendo uma delas malformada que acabou aproveitada para recompor outras partes dos corpos. 

Os pais dos gêmeos, Eliana Ledo Rocha Brandão e Delson Brandão não quiseram comentar a perda neste sábado, 28. Eles pretendem levar o corpo para o interior da Bahia, de onde a família veio para acompanhar os meninos desde que souberam, durante a gestação, que se tratava de siameses.

A cirurgia de separação foi liderada pelo cirurgião pediátrico Zacharias Calil. Foi um dos mais complexos procedimentos já realizados pelo HMI que acompanhou 28 casos de siameses, dos quais, 12 chegaram à condição de separação, e destes 10 sobreviveram. O hospital é o único do Sistema Único de Saúde (SUS) apto para realizar a separação de siameses. Na cirurgia dos meninos, a equipe utilizou uma técnica nova, através em um "biomodelo", baseado em réplicas precisas dos órgãos de Arthur e Heitor e em um programa de impressão tridimensional exata de estruturas anatômicas.

A cirurgia mobilizou um batalhão de especializadas somando 51 profissionais, entre cirurgiões pediátricos, anestesistas, ortopedistas, médicos intensivistas, cirurgiões plásticos, cirurgiões vasculares, pediatras, biomédicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, nefrologista, cardiologista, entre outros. Assim que Calil concluiu os procedimentos cirúrgicos,  declarou à imprensa que os próximos dias seriam cruciais para a chamada "etapa clínica", considerada delicada porque se trata de pacientes graves internados dependentes de assistência integral. 

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