Mortalidade infantil no mundo cai mais depressa do que previa a ONU

Autores acessaram dados de 187 países, desde 1970, e viram que as mortes infantis caem cerca de 2% ao ano

Associated Press

24 Maio 2010 | 13h31

O total de mortes de crianças menores de cinco anos no mundo parece ter caído mais depressa do que as autoridades esperavam. Um novo estudo estima que muito menos crianças - cerca de 800.000 - morrem a cada ano do que estimavam as Nações Unidas.

 

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Usando mais dados e um modelo aperfeiçoado, cientistas preveem que 7,7 milhões de menores de cinco anos morrerão em 2010, 36% menos que as quase 12 milhões de mortes estimadas em 1990. O trabalho aparece nesta segunda-feira, 24, na revista médica The Lancet.

 

A nova estimativa é substancialmente menor que o cálculo feito pelo Unicef em 2008, quando foram estimadas 8,7 milhões de mortes a cada ano de causas evitáveis como diarreia, pneumonia e malária.

 

"Estamos um bocado melhores do que pensávamos", disse Christopher Murray, um dos autores do estudo e diretor do instituto de Métricas Médicas e Avaliação da Universidade de Washington.

 

Murray e colegas acessaram dados de 187 países, entre 1970 e 2009. Determinaram que as mortes infantis caem cerca de 2% ao ano, abaixo dos 4,4% necessários para que se atinja a meta da ONU de cortar a mortalidade em dois terços até 2015.

 

Murray disse que a mortalidade está caindo surpreendentemente depressa em países como a Libéria e o Níger, mas que o progresso está paralisado em nações ricas como os EUA e o Reino Unido.

Onde as informações eram limitadas, os pesquisadores usaram modelos para projetar o número de mortes. A pesquisa foi paga pela Fundação Bill e Melinda Gates.

 

"Estamos muito entusiasmados porque esse estudo reforça nossa crença de que intervenções de grande escala, como redes contra malária, vacinas e pílulas de vitamina A estão mostrando seu efeito", disse Mickey Chopra, diretor de saúde do Unicef. O Fundo das Nações Unidas para a Infância não teve ligação com o estudo.

 

Ele se mostrou particularmente impressionado com o progresso em países como Níger e Malavi,onde não tem ocorrido muito crescimento econômico. "Mesmo enquanto esperamos a redução dos níveis de pobreza, podemos ainda há muito que pode ser feito pela saúde".

 

William Aldis, um especialista que já ocupou altos postos na Organização Mundial da Saúde e que já trabalhou na África e na Ásia, disse que os números não são totalmente confiáveis, dadas as incertezas nos dados dos países pobres, onde a vigilância é baixa.

 

A analista Mit Philips, dos Médicos Sem Fronteiras, disse que é encorajador saber que menos crianças estão morrendo, mas muito mais ainda precisa ser feito. "Se você começa com uma taxa de mortalidade muito alta, como em alguns lugares da África, mesmo se reduzir, ela ainda é muito grande", disse.

 

Ela afirmou que melhorar a saúde em países pobres requer serviços sanitários amplos, e não apenas campanhas esporádicas de distribuição de redes contra mosquitos ou vacinação.

 

Brasil

 

A taxa de mortalidade infantil no Brasil caiu 61,7% entre 1990 e 2010 - de 52,04 mortes por mil nascimentos em 1990 para 19,88/mil em 2010 -, de acordo com o mesmo estudo. No Brasil, a taxa anual de queda foi de 4,8% de 1970 a 2010. O Brasil subiu nove posições no ranking internacional de mortalidade infantil nas últimas duas décadas.

 

A mortalidade infantil no Brasil era de 120,7 a cada mil nascimentos vivos, em 1970. Hoje, mesmo com a queda, ainda é muito superior à dos países com o menor índice: Islândia (2,6) Suécia (2,7) e Chipre (2,8). Na Itália, o número é de 3,3, na Noruega de 3,4 e na França de 3,8.

 

O Brasil também perde em comparação com outros países em desenvolvimento, como o Chile (6,48), Cuba (5,25), China (15,4), México (16,5), Colômbia (15,3) e Argentina (12,8).

 

Os países com maior índice de mortalidade do mundo são a Nigéria (168,7), Guiné-Bissau (158,6), Níger (161), Mali (161) e Chade (114,4).

 

(com BBC Brasil)
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