Jason Schlengmann/Arquivo pessoal
Jason Schlengmann/Arquivo pessoal

Morte de músico de 34 anos por coronavírus comove interior de SC

Deison Freitas morreu após 20 dias de internação; ele foi homenageado em vídeos e montagens feitas por amigos, colegas de profissão e admiradores

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2020 | 17h11

SÃO PAULO - A morte do músico Deison Freitas, de 34 anos, pelo novo coronavírus colocou em luto parte dos 100 mil habitantes do município de Tubarão, no interior de Santa Catarina. Pelas redes sociais, somam-se dezenas de postagens e vídeos em homenagem ao artista, que ficou 20 dias na UTI. "Hoje o seu show é no céu! Descanse em paz, amigo", dizia uma das imagens mais compartilhadas.

Deison morreu às 5h10 desta terça-feira, 7. Segundo o Hospital Nossa Senhora da Conceição, ele teve a testagem para o covid-19 confirmada quatro dias depois da internação. A instituição de saúde informou, ainda, que o artista não tinha doença pré-existente, mas era fumante. De acordo com amigos, ele terá o corpo cremado.

Nascido em Porto Alegre, Deison era cantor, compositor e instrumentista. Lançou o primeiro e único álbum, Primeira Página, em 2014. No YouTube, costumava compartilhar vídeos com versões de canções de artistas e bandas como Cazuza, The Beatles e Wilson Simonal, além de trabalhos autorais. Ele também era professor de música há 12 anos e autor do e-book Estudando para cantar.

O artista aprendeu a tocar violão aos seis anos, por influência do pai. Aos 14 anos, já se apresentava profissionalmente em bandas de baile do sul catarinense, enquanto, nos anos seguintes, passou também a fazer shows de voz e violão em bares e eventos. 

“Deison era uma pessoa de personalidade, falava calmamente”, lembra Jason Schlengmann, de 37 anos, amigo e colega de trabalho. “Era muito querido no meio cultural. Não só de Tubarão, mas de várias cidades da região. Todos que o conheceram, o admiravam.”

Já o músico Jorge Nando, de 40 anos, conta que havia composto uma música com Deison. “Moro em outra cidade, mas estávamos sempre nos falando por telefone, sobre o cenário musical, composições e instrumentos musicais. Também íamos gravar um vídeo ainda esse ano, cantando juntos.”

Ele descreve o amigo como uma pessoa bem-humorado e que “sempre lutava pela música de qualidade, que gostava de ouvir e tocar os grandes nome da nossa música.”

“Deison tinha muitos amigos, era muito bem relacionado. É bem conhecido na cidade e região, pois se apresentava em vários lugares”, comenta. “Não imaginávamos que fosse coronavírus, mas o caso foi se agravando e, depois, soubemos que era o vírus. A morte precoce do nosso amigo e músico da região, gerou uma comoção na comunidade musical local. Era bem querido na cidade.”

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