Mortes por Alzheimer quase dobram em cinco anos em SP

Prefeitura criou protocolo para facilitar diagnóstico, um dos fatores que ajudam a explicar aumento

Agência Estado

26 Julho 2010 | 14h28

SÃO PAULO - Aos 71 anos, Maria Viegas Napoli muitas vezes não reconhece as próprias filhas. Ela foi diagnosticada com mal de Alzheimer há cinco anos, época em que a capital paulista registrava 494 casos de óbitos provocados pela doença. No fim do ano passado, já eram 939 - um aumento de 90% no período. É o que mostra um levantamento inédito feito pelo Jornal da Tarde com base no Programa de Aprimoramento das Informações de Mortalidade de São Paulo.

O mal de Alzheimer é a principal causa de demência em pessoas com mais de 60 anos, segundo os médicos. A partir dessa faixa etária, a chance de desenvolver a doença é de 5%, o que dobra a cada cinco anos - aos 85 anos, chega a 50%.

"A doença faz com que o paciente perca suas funcionalidades e se torne completamente dependente", diz a geriatra Luciana Pricoli. "Os medicamentos, a fisioterapia e a psicoterapia podem retardar essa perda", completa.

Os neurônios morrem e, junto com eles, se vão as datas, lembranças e fisionomias - como os contornos dos rostos das filhas de Maria. A perda da capacidade cognitiva, do raciocínio e da linguagem, muitas vezes, é confundida com processos naturais de envelhecimento, daí a dificuldade de um diagnóstico precoce.

Por enquanto, a doença é identificada por meio de sinais clínicos e com a ajuda de testes. Na semana passada, contudo, durante o Congresso International sobre Alzheimer, no Havaí, especialistas propuseram que o diagnóstico passe a ser feito por meio de tomografias, antes do surgimento dos sintomas, conforme noticiou o jornal americano New York Times. Isso poderia triplicar o número de diagnósticos.

No Brasil, os médicos passaram a estudar a doença mais a fundo em 2001, quando o governo federal começou a oferecer tratamento médico para Alzheimer na rede pública de saúde.

No mesmo ano, a Prefeitura de São Paulo criou um protocolo para facilitar o diagnóstico dos pacientes com sinais da doença, um dos fatores que ajudam a explicar o aumento exponencial de casos identificados na cidade. Nos últimos 10 anos, entre 1999 e 2009, a doença passou da 80ª para 21ª posição entre as causas de morte na capital paulista.

As informações são do Jornal da Tarde.

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