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Mortes por malária diminuem, mas faltam recursos, alerta OMS

De acordo com organização, apesar das doações internacionais terem aumentado, valor ainda está abaixo dos cerca de 5 a 6 bilhões de dólares necessários para zerar mortes até 2015

Reuters,

13 de dezembro de 2011 | 17h05

LONDRES - As mortes por malária caíram dramaticamente nesta última década graças à ajuda crescente, que permitiu o maior acesso a redes e remédios, mas a recessão econômica ameaça esse progresso, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta terça-feira, 13.

Em seu relatório global anual sobre a doença, a OMS disse que as doações internacionais para a luta contra a malária aumentaram para cerca de 1,7 bilhão de dólares em 2010 e 2 bilhões em 2011, a mais alta quantia anual já registrada.

Mas isso ainda está abaixo dos cerca de 5 a 6 bilhões de dólares necessários todos os anos para atingir o objetivo da OMS de zero mortes por malária até 2015.

"O aumento do financiamento resultou em um progresso tremendo", disse a agência de saúde das Nações Unidas.

O número estimado de mortes por malária caiu para 655.000 em 2010, 36.000 a menos do que em 2009.

"Embora isso represente um progresso significativo, os números de mortalidade ainda são muito altos para uma doença que é totalmente evitável e tratável", dizia o relatório.

A malária é endêmica em mais de 100 países, mas pode ser evitada com o uso de redes em cima das camas e spray para afastar os mosquitos que carregam a doença.

Remédios eficazes contra a malária, conhecidos como terapias combinadas à base de artemisinina (ou ACT, na sigla em inglês), podem curar a infecção, mas o acesso a esse medicamento é difícil em países pobres, onde o dinheiro é limitado e os serviços de saúde, precários.

A erradicação total da doença, que se espalha através da picada de mosquitos infectados e ameaça metade da população mundial, ainda está longe. Alguns acham que pode levar mais 40 ou 50 anos.

O relatório da OMS diz que programas de controle da malária entre 2008 e 2010 distribuíram redes tratadas com inseticida contra mosquitos para mais de 578 milhões de pessoas na região mais duramente atingida, a África subsaariana.

Onze países na África viram uma redução de mais de 50 por cento em casos confirmados de malária ou internações na última década, e uma queda de mais de 50 por cento em casos de malária foi registrada em 32 dos 56 países afetados por malária endêmica fora da África no mesmo período.

O Marrocos e o Turcomenistão ganharam o certificado da OMS em 2009 por terem eliminado a doença.

"Os resultados mostrados nesse relatório foram os melhores em décadas", disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan. "Depois de tantos anos de deterioração e estagnação na situação da malária, países e seus parceiros de desenvolvimento estão agora na ofensiva."

Mas o relatório projetou que, como muitos dos doadores internacionais estão em recessão ou crescimento econômico lento, os recursos para o combate à malária devem cair em 2012 e 2013, para 1,5 bilhão de dólares por ano até 2015.

 

 

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