Arquivo pessoal
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Morto aos 29 anos por coronavírus vivia ascensão política em Embu das Artes

Bruno Nascimento Leite é uma das vítimas fatais da covid-19 no Brasil fora do grupo de risco

Guilherme Amaro, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2020 | 15h00
Atualizado 01 de abril de 2020 | 18h37

O novo coronavírus interrompeu a ascensão política de Bruno Nascimento Leite, de 29 anos, a segunda vítima fatal mais nova causada pela covid-19 no Brasil até a última terça-feira. Em 18 de março, ele acordou com febre e foi ao Pronto-Socorro Central de Embu das Artes, na Região Metropolitana de São Paulo. O quadro médico piorou e ele teve de ser transferido para o Hospital Geral de Itapecerica da Serra, onde morreu no último domingo.

De acordo com amigos, Bruno não tinha qualquer comorbidade que o deixaria no grupo de risco do coronavírus. Também não se sabe onde ele possa ter contraído a covid-19.

Ele era funcionário público e amigo do prefeito de Embu das Artes, Ney Santos (Republicanos), que lamentou a morte em uma postagem no Facebook. "Deus recolheu o nosso amigo, ele foi descansar nos braços do Pai. Que o Espírito Santo console todos os amigos e familiares nesse momento de profunda dor e saudade", escreveu o prefeito na legenda da foto que tirou ao lado de Bruno.

A ligação de Bruno com a política ocorreu por meio de Renato Oliveira, assessor pessoal de Ney Santos. Bruno era cabeleireiro, virou funcionário público e trabalhava na secretaria de comunicação da Prefeitura de Embu das Artes. Há dois anos, trabalhou na campanha de Ely Santos, que é irmã do prefeito e se candidatou a deputada federal em São Paulo, recebeu quase 50 mil votos e ficou como segunda suplente do Republicanos. Bruno puxava votos principalmente das pessoas do bairro Santo Antonio, onde era considerado uma liderança política.

"Ele não era do ramo político, mas estava crescendo na função. Viu que tinha jeito para a coisa e se tornou um líder do bairro, bem ativista, defendendo ideias para a comunidade", contou o secretário de governo de Embu das Artes, Jones Donizette, que esteve com Bruno dias antes de ele sentir os primeiros sintomas da doença. "Foi tudo muito rápido", lamentou o amigo.

Bruno foi enterrado na última segunda-feira, deixou um filho de oito anos e até aquela data era a segunda vítima fatal mais nova do coronavírus no Brasil até terça-feira. A primeira era Mauricio Kazuhiro Suzuki, de 26 anos, que morreu no último sábado e também não possuía características que o colocassem no grupo de risco, segundo familares e amigos. Das 201 pessoas que morreram por causa do coronavírus no Brasil, de acordo com os números do Ministério da Saúde até terça-feira, 28 não apresentavam sintomas de nenhuma outra doença. Isso significa que não tinham comorbidade conhecida e morreram após contraírem a covid-19, segundo o Governo.

Nesta quarta-feira, foi confirmada a morte do mais jovem até agora pelo novo coronavírus: a de Matheus Aciole, de 23 anos, em Natal, no Rio Grande do Norte. De acordo com as autoridades locais de saúde, ele era obeso e apresentava pré-diabetes, fatores considerados de risco para o novo coronavírus.

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