Famema/Divulgação
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MP investiga fraudes em hospital e na Medicina de Marília

Procurador e promotor apuram sobrepreço de serviços e materiais e até plantões de 365 dias por ano, 'algo humanamente impossível'

Chico Siqueira, Especial para o Estado

16 Julho 2015 | 07h00

ARAÇATUBA - Diretores, médicos e altos funcionários da Faculdade de Medicina de Marília (Famema) e do Hospital das Clínicas são investigados por fraudes, desvios de recursos e superfaturamento de serviços e materiais médicos pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A apuração é conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF), pelo Ministério Público Estadual (MPE) e pela Polícia Federal (PF). A precariedade de atendimento também está sob investigação. 

“Temos casos de médicos que receberam quantias bem acima do serviço praticado, como a realização de plantões em 365 dias por ano, algo humanamente impossível”, disse o procurador da República Jefferson Aparecido Dias. 

Segundo ele, o MPF encontrou casos de diretores da Fundação de Apoio à Faculdade de Medicina de Marília (Famar) - responsável pela gestão da faculdade e do hospital - que mantinham consultórios particulares dentro do HC. O hospital-escola e a faculdade são autarquias estaduais, e o atendimento é totalmente voltado ao SUS. 

O procurador apurou também que diretores da fundação contratavam seus próprios laboratórios para realizar os exames pelo SUS. “Há indícios de direcionamento de licitação”, afirmou Dias. 

Documentos e computadores apreendidos na sexta-feira passada pela PF na fundação, hospital, faculdade, casas de suspeitos e em empresas particulares de serviços médicos estão sob análise da polícia e do MPF. “Vamos precisar ainda de mais dez dias apenas para separar e dar encaminhamento a esse material para depois ouvir os envolvidos”, disse.

Alerta. Denúncias dos alunos de Medicina levaram à apuração da falta de materiais básicos, como álcool, algodão e gaze, que paralisaram serviços e até pesquisas. O HC atende 1,2 milhão de habitantes de 60 cidades. Desde abril, a situação é precária. No final de junho, a Famar anunciou o corte de 50% dos serviços prestados pelo HC, como cirurgias eletivas e redução de leitos. Na segunda-feira, os funcionários entraram em greve por 20% de aumento.

O promotor de Justiça Isauro Bogossi Filho, que apura a precariedade no atendimento, recebeu ofício do prefeito Vinicius Camarinha (PSB) avisando que o hospital paralisaria 50% das atividades a partir de julho. “Eles disseram que cortariam 50% dos serviços, como metade das cirurgias eletivas e 40 leitos. A situação é um caos”, afirmou Camarinha. 

A assessoria de imprensa da Famema informou que todos os responsáveis estão viajando. Por meio de nota, afirmou que a crise atual é causada pelo cenário econômico. Alegou ainda que as licitações feitas pela fundação e pelo HC estão dentro da legalidade. Além disso, segundo a assessoria da Famema, a falta de equipamentos básicos e de medicamentos foi “pontual” e já está em ordem.

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