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MP vai apurar prejuízo em hospital gerido pela Santa Casa

Instituições, em Santa Cecília, foram abertas para ajudar a Santa Casa a equilibrar contas, mas o Hospital Santa Isabel 2 dá prejuízo

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

08 Janeiro 2015 | 03h00

SÃO PAULO - O Ministério Público Estadual (MPE) vai instaurar nesta quinta-feira, 8, inquérito civil para apurar por que um dos hospitais particulares mantidos pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo tem dado prejuízo.

Além de administrar o Hospital Central, que atende apenas pacientes da rede pública, a maior entidade filantrópica da América Latina tem duas unidades particulares: Hospitais Santa Isabel 1 e 2, também em Santa Cecília, na região central. Os dois foram abertos para gerar renda e ajudar a instituição a equilibrar as contas, mas o Santa Isabel 2 dá prejuízo.

Em grave crise financeira e com déficit superior a R$ 400 milhões, a Santa Casa afirmou no fim do mês passado que já negocia a transferência da operação da unidade para um plano de saúde. Apenas o aluguel pago pelo prédio do hospital, no valor de cerca de R$ 500 mil mensais, seria o equivalente ao dobro do lucro da unidade.

Após se reunir com médicos da Santa Casa nesta quarta, o promotor Arthur Pinto Filho, da área de Saúde Pública, decidiu abrir a investigação para checar como é administrado o Santa Isabel 2. “Mesmo que não envolva dinheiro público, o Santa Isabel é gerido pela mesma instituição, tem a mesma superintendência, então o assunto está relacionado com a crise da Santa Casa como um todo”, disse ele, que conduz há cinco meses outro inquérito sobre as falhas na gestão do complexo.

“Na reunião, os médicos disseram que o Santa Isabel 2 é estratégico para a recuperação da Santa Casa. Bem administrado, ele pode dar lucro, então é preciso checar como está sendo feita essa administração e se a transferência de operação é a melhor opção”, disse o promotor.

Propostas. Na reunião, Pinto Filho apresentou, para avaliação dos médicos, propostas para modernização do sistema de administração da Santa Casa. A ideia é que os profissionais ajudem o MPE a aprimorar as sugestões antes de elas serem apresentadas para a direção da instituição.

Uma das propostas do MPE é que a instituição filantrópica crie um portal da transparência. “Nesse site seriam colocados todos os contratos e as atas das reuniões da mesa administrativa”, afirmou Pinto Filho.

Outra proposta é que o diretor clínico e os diretores dos departamentos do complexo hospitalar sejam indicados pelos próprios funcionários e médicos e não pela superintendência. “São os profissionais que sabem o que está acontecendo nesses setores, eles que devem escolher”, disse o promotor.

Após finalizadas as discussões, as propostas deverão ser apresentadas para a direção da Santa Casa e para os governos estadual e federal, que repassam verba para a entidade. A previsão é de que todas as partes se reúnam com o promotor na próxima semana. “É possível que, se aceitas, as propostas se transformem em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC)”, afirmou Pinto Filho. 

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