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MPF pede cancelamento de registro de fungicidas que podem ser cancerígenos

Perícia indicou que uso do princípio ativo prochlora, encontrado em vários produtos para controle de pragas, pode aumentar risco de câncer de mama, de testículo e de próstata

Agência Brasil,

09 de maio de 2012 | 11h58

O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo entrou com uma ação civil pública pedindo o cancelamento do registro de todos os fungicidas que utilizam o princípio ativo prochloraz. Uma perícia realizada por especialistas do órgão indicou que a substância propicia o aparecimento de câncer de mama, de testículo e de próstata.

 

O MPF pediu ainda informações sobre os efeitos do prochloraz à saúde e ao meio ambiente ao Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os dois órgãos são responsáveis por avaliar a segurança dos produtos destinados ao controle de pragas agrícolas antes da concessão do registro pelo Ministério da Agricultura.

 

Segundo o MPF, o Ibama classificou o princípio ativo como “altamente persistente no meio ambiente” e “altamente tóxico para os organismos aquáticos”, enquanto a Anvisa informou que o prochloraz é um “possível carcinógeno”, que não é utilizado nos Estados Unidos desde 1989.

 

O Ministério da Agricultura, no entanto, negou à Agência Brasil que os órgãos competentes indicaram produtos a base de prochloraz como potencialmente nocivos à saúde ou ao meio ambiente. “Portanto, foram considerados seguros para uso no controle de pragas e não foram considerados carcinogênicos ou causadores de danos ao meio ambiente, pois caso tivessem sido caracterizados nestes critérios teriam a emissão de seu registro proibido”, ressaltou o coordenador-geral de Agrotóxicos e Afins, Luís Eduardo Pacifici Rangel.

 

Rangel disse ainda que fungicidas feitos com a substância são importantes “para o controle de pragas em momentos estratégicos das culturas”. O MPF diz que atualmente existem três produtos registrados com o princípio ativo: Jade, produzido pela Milenia Agrociências S/A; Mirage 450 EC, produzido pela Agricur Defensivos Agrícolas Ltda; e Sportak 450 EC, produzido pela Bayer S/A

 

Procurada pela reportagem, a Anvisa não confirmou as informações repassadas ao ministério público.

 

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