REUTERS/Paulo Whitaker
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Mudar o que comemos pode ajudar no combate ao aquecimento global, diz estudo

Segundo os cientistas, toda a cadeia global da produção de alimentos poderia ser mais sustentável, da produção ao consumo, passando pelo armazenamento e transporte. Para além das políticas públicas, a participação dos cidadãos é fundamental

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2020 | 05h00

RIO - A mudança dos hábitos alimentares pode ser uma importante arma individual na luta contra o aquecimento que ameaça o planeta. Uma dieta que contribua menos para as mudanças climáticas é a proposta do artigo publicado nesta terça-feira, 18, pela “Nature Food” e assinado por cientistas que participaram do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU. Entre eles, está a professora Joana Portugal Pereira, da Coppe/UFRJ.

Segundo os cientistas, toda a cadeia global da produção de alimentos poderia ser mais sustentável, da produção ao consumo, passando pelo armazenamento e transporte. Consideradas em conjunto, essas atividades respondem por uma fatia considerável (entre 21% e 37%) do total de emissões de gases de efeito estufa. Por isso, acreditam os cientistas, os formuladores de políticas públicas devem expandir suas estratégias de mitigação.

O artigo frisa que as emissões de gases do efeito estufa não estão restritas à produção rural ou à criação de gado. Investir na eficiência cada vez maior nestas etapas da cadeia produtiva é importante, mas não é a única medida a ser adotada.

“Avaliando medidas de redução de gases estufa listadas e avaliadas por nós, vimos que o potencial de redução na produção de alimentos é equivalente ao potencial de redução na demanda, cerca de oito gigatoneladas”, afirma Pereira.

Para além das políticas públicas, a participação dos cidadãos é fundamental.

“Para garantir a segurança alimentar de toda a população é essencial repensarmos os nossos padrões de consumo e adotarmos dietas sustentáveis, equilibradas e saudáveis”, diz a professora do Programa de Planejamento Energético da Coppe. “Não é defender que se adote uma dieta vegetariana ou vegana, é uma postura mais moderada.”

Em geral, a criação de gado contribui muito mais para a emissão dos gases de efeito estufa do que a produção agrícola. Por isso, quanto menos carne for consumida e quanto mais verduras, legumes e frutas fizerem parte da dieta, melhor para o meio ambiente.

A pesquisadora lembra que dois bilhões de pessoas em todo o mundo sofrem de obesidade. O excesso de peso é responsável por vários problemas de saúde, como as cardiopatias, afirma.

“Repensar hábitos e ter equilíbrio na questão dos alimentos leva à redução de gases do efeito estufa, passando também por benefícios ao ecossistema, como a redução do desmatamento, e benefícios à saúde”, conclui.

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