Daniel Teixeira/Estadão
O cardiologista intensivista Mauricio Henrique Claro dos Santos, do Hospital Sírio-Libanes Daniel Teixeira/Estadão

'Muitos jovens, na casa dos 20, 30 anos. Membros da mesma família intubados', diz médico

Cardiologista intensivista do Hospital Sírio-Libanês relata angústia diante do aumento de internações e risco de falta de medicamentos nos hospitais

Pablo Pereira, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2021 | 05h00

*Depoimento de Maurício Henrique Claro, cardiologista intensivista do Hospital Sírio-Libanês

"Acredito que depois de aproximadamente um ano de trabalho árduo de combate à covid-19, nenhum profissional de saúde que atua na linha de frente imaginaria que a gente chegasse na situação em que a gente se encontra agora. 

É o pior momento da pandemia, com o número de casos aumentando muito e a necessidade de abrir mais leitos de terapia intensiva para atender à demanda desses pacientes que chegam graves. 

São muitos pacientes jovens, na casa dos 20, 30 anos de idade. A gente está vendo também muitos membros da mesma família sendo intubados, necessitando de ventilação mecânica ao mesmo tempo. E, além disso, (hospitais) correndo risco da falta de medicamentos

Por isso, é super importante as pessoas se cuidarem, manterem o distanciamento social, usarem as máscaras e também se vacinarem contra a covid-19. Não é hora de parar de se cuidar."

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Com um ano de pandemia, hospitais têm profissionais cansados, pacientes jovens e famílias internadas

Profissionais da saúde relatam o desafio de cuidar dos pacientes – em número crescente e cada vez mais jovens – e lidar com o esgotamento de um ano de pandemia

Pablo Pereira, Marco Antônio Carvalho e Ricardo Araújo, Especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2021 | 05h00

Depois de um ano de pandemia, a sensação é de viver em um campo de guerra. Profissionais da saúde relatam o desafio de cuidar dos pacientes com covid-19 – em número crescente, e cada vez mais jovens – e lidar com o cansaço. 

Esse rejuvenescimento da pandemia pressiona hospitais. Na comparação entre a 1ª semana epidemiológica do ano com a 10ª (7 a 13 de março), as infecções pelo vírus subiram 316%, disse o Observatório Covid-19 da Fiocruz, na sexta-feira. 

Já nas faixas de 30 a 39 anos, os casos aumentaram 565%; e de 40 a 49 anos, 626%. Por terem menos comorbidades, a permanência dos mais novos nos hospitais é maior. 

“Antes, a gente até falava: ‘eram os avós’. Agora são os filhos e os netos”, diz o infectologista André Baptista, médico residente do Instituto Emílio Ribas, unidade de referência em São Paulo. Além disso, as equipes convivem com a ansiedade de dar notícias (más, na maioria) às famílias e a revolta de ouvir sobre flagrantes de festas e aglomerações, como se a crise sanitária nem existisse. 

O medo de acabar os remédios é outra sombra. “Se as drogas acabarem, todos vão acordar com um tubo dentro do pulmão. Imagine que situação desesperadora”, descreve Baptista.

Além das mortes – o País tem mais de 312 mil vítimas –, o número de novas infecções indica que ainda não há sinais de melhora em breve. Médica intensivista do Hospital Municipal de Natal, Ana Patrícia Tertuliano define: “Realmente, o que a gente está vivendo é um inferno”.

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