Mulher com falso diagnóstico de HIV ganha indenização

Nos últimos 15 anos a vida da ex-governanta Manoelina Monteiro, de 56 anos, foi uma tortura. Durante a metade desse tempo, mais de sete anos, ela recebeu tratamento para aids até descobrir não ser portadora do vírus HIV. Agora ela está prestes a receber uma indenização de cerca de R$ 200 mil. Ontem, o Tribunal de Justiça de São Paulo negou recurso do Hospital de Base de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, onde o erro de diagnóstico foi cometido. Isso confirma decisão anterior que estipula o pagamento da indenização por danos morais. Manoelina, no entanto, quase não ficou sabendo da boa notícia. Por mais de três anos, até a noite de ontem, seu advogado Paulo Sérgio Santo André não sabia do paradeiro de sua cliente. Informado por uma colega de São José do Rio Preto, finalmente localizou a mulher, que mora na zona rural da cidade. Manoelina foi internada no Hospital de Base de São José do Rio Preto em novembro de 1991. Chegou ao pronto-socorro com uma crise de pressão alta. Durante 19 dias, submeteu-se a vários exames, entre eles o de HIV. Ao receber alta, foi informada de que o resultado do teste era positivo. Oito dias depois de sair do hospital, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) que paralisou todo o lado esquerdo de seu corpo. A ex-governanta passou os seis anos seguintes em uma cama, recebendo os cuidados da irmã, Luzia Monteiro. Somente em agosto de 1998, ao voltar ao hospital, o equívoco foi desfeito. Um infectologista estranhou o quadro clínico de Manoelina e pediu novo exame.Dois laudos do Instituto Adolfo Lutz, e um de uma clínica particular, confirmaram o erro. O advogado ainda avalia se recorre ao Supremo Tribunal Federal (STF) para aumentar o valor da indenização. ?Não é qualquer dinheiro que pode minimizar os problemas que ela teve.? Para Luzia, o dinheiro não vai repor o que ela perdeu. ?A saúde e a liberdade dela não tem dinheiro que pague?, diz. Enquanto a indenização não é paga, a ex-governanta continua sofrendo as conseqüências do erro que mudou sua vida. Hoje ela mal consegue andar e falar.

Agencia Estado,

09 de novembro de 2006 | 10h56

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