Mulher de Mandela diz que África deve proteger crianças da Aids

A esposa de Nelson Mandela, Graça Machel, disse na quinta-feira que os líderes africanos deveriam se empenhar mais em proteger crianças da Aids, e que é hora de mudar as prioridades dos gastos públicos.

PERSOSHNI GOVENDER, REUTERS

22 de outubro de 2009 | 17h26

"Não importa quão pequeno seja o nosso orçamento, precisamos fazer alguma coisa. Não chegaremos lá (à redução do HIV) com líderes africanos que não ficam sensibilizados com pessoas morrendo", disse ela durante o lançamento da Campanha pelo Fim do HIV/Aids Pediátrico (Cepa, na sigla em inglês).

Cerca de 60 por cento dos portadores do vírus da Aids vivem na África Subsaariana, e nessa região estão também 90 por cento das duas milhões de crianças contaminadas no planeta, uma realidade que Graça Machel disse que deveria impulsionar os líderes africanos a agirem.

"Não estou realmente convencida de que alguns dos orçamentos que temos para a defesa sejam absolutamente necessários", disse à Reuters a ex-primeira-dama sul-africana, militante dos direitos das mulheres e das crianças.

"Há uma necessidade de redirecionar recursos da defesa. Para mim, as prioridades são saúde, educação, fornecimento de água e agricultura", acrescentou.

A Cepa busca trabalhar com governos e organizações comunitárias da África para atenuar os gargalos no fornecimento de medicamentos que impeçam a chamada transmissão vertical da Aids (de mãe para filho).

Seu objetivo é que até 2012 esses medicamentos atendam pelo menos 80 por cento das crianças sob risco, mais do que duplicando o número das que atualmente têm acesso a esse tratamento.

"É hora de dizer: 'Façamos uma reengenharia dos nossos orçamentos, usemos os poucos recursos que temos de forma mais sábia'", disse Graça, que ficou viúva em 1986 do primeiro presidente de Moçambique, Samora Machel, e em 1998 se casou com o então presidente sul-africano, Nelson Mandela.

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