Mulher morre após deixar hospital e família acredita em negligência

Segundo parentes, Angelita Teixeira passou mal em casa após ser liberada por médico; prefeitura de Cubatão diz que ela saiu sem aval

Zuleide de Barros, Especial para O Estado

28 Julho 2014 | 17h42

CUBATÃO - A família da dona de casa Angelita Aragão Teixeira, de 42 anos, acusa o Hospital Municipal de Cubatão (HMC) de negligência. De acordo com os familiares, a dona de casa foi dispensada do hospital, depois de passar por uma série de exames, e morreu nos braços da filha, na noite de sábado, 26.

Após ser liberada por um profissional que prescreveu medicamentos e mandou que ela fosse para casa e voltasse na segunda, de acordo com a família, Angelita voltou a passar mal na sua residência, quando familiares chamaram o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu). Ela morreu ao dar entrada no hospital. 

Segundo a tia da dona de casa, Ana Dirce Madeira, de 58 anos, a sobrinha começou a passar mal já na madrugada de sábado, quando foi levada ao hospital. Foi medicada e dispensada. Mas voltou a sentir fortes dores no peito, retornando ao estabelecimento, onde permaneceu em observação, das 10 às 18 horas, quando o médico a dispensou, alegando que não teria condições de interná-la.

A mulher voltou para a casa com a filha e, minutos depois, desmaiou, quando os familiares chamaram o Samu.  A tia conta que quando Angelita chegou ao HMC, não havia médico algum. "O médico que atendeu minha sobrinha apareceu depois, mas fugiu", afirma.

Ana Dirce acredita que os exames estavam todos alterados. "Se o médico não tinha condições de avaliar os exames, que chamasse outro profissional e não pedisse que voltasse só na segunda-feira", avalia. A família e os amigos de Angelita acusam o HMC de negligência médica e está denunciando o caso à polícia "para que uma tragédia como essa não volte a se repetir na cidade". 

Defesa. Em nota emitida na tarde desta segunda-feira, 28, a Prefeitura de Cubatão  disse que a paciente deu entrada no Pronto-Socorro às 4h25 do sábado com dores abdominais e informou ao médico que poderiam ser causadas por alimento ingerido momentos antes. Ainda segundo a nota, foram realizados exames de sangue e a paciente recebeu medicação. Foi indicado repouso no local e solicitada uma ultrassonografia do abdome, que deveria ser realizada na segunda-feira.

"Entretanto, como Angelita queixou-se de dores, foi aplicada nova medicação e, às 12h48 foi realizada ultrassonografia abdominal. Às 18h25, foi submetida a exame de eletrocardiograma e, no período em que deveria aguardar pelo resultado, a paciente, sem a liberação médica e sem comunicar a nem um funcionário do local, retirou-se da unidade", esclarece a nota, destacando que todos os exames apresentaram condições normais. 

Ainda segundo a Secretaria Municipal de Saúde, às 19h15, a paciente, trazida por uma ambulância do Samu, deu entrada no setor de emergência com parada cardiorrespiratória, ocasião em que foram tentadas todas as manobras de reanimação, sem que recuperasse os sinais vitais. Às 19h40 foi constatado o óbito.

A Secretaria Municipal de Saúde informou também que o médico responsável pelo atendimento deixou o local após terminar seu turno de trabalho e que foi aberto nesta segunda um procedimento administrativo sobre o caso, para que todas as partes envolvidas sejam ouvidas.

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