'Mulheres precisam redobrar a atenção para evitar as doenças cardíacas'

Coordenadora da campanha canadense para prevenção enfartes em mulheres fala da necessidade de cuidados e do mito de que 'enfarte é problema de homem'

Nina Martinez; Estadão.com.br,

24 de abril de 2012 | 18h00

As mulheres de hoje vivem mais, são mais ativas e contam com novos recursos para tratar a saúde. Mas, apesar disso, estão morrendo cada vez mais de doenças do coração. Hoje essas enfermidades figuram entre as principais causas de morte das mulheres no País e no mundo, somando 20 mil óbitos todos os anos, segundo dados do Ministério da Saúde.

Em visita ao Brasil, a especialista canadense Beth Abramson, porta-voz da Heart and Stroke Foundation e coordenadora da campanha The Heart Truth para prevenção das doenças cardiovasculares em mulheres, falou com exclusividade ao Estado sobre os cuidados necessários, o mito de que enfarte é só 'problema de homem' e a importância de ir ao médico. "Mulheres, fujam do diagnóstico tardio. Ao menor sinal, vão ao hospital", recomenda ela.  A médica é uma das principais porta-vozes sobre a saúde cardiovascular feminina no Canadá e esteve no país para um evento de atualização médica sobre as novas diretrizes internacionais para prevenção das doenças cardiovasculares em mulheres. No Brasil, a campanha recebeu o nome Por trás do Biquíni.

As doenças coronárias matam mais mulheres no mundo que o câncer?

Infelizmente sim. Mas a boa notícia é que podemos prevenir que outras mulheres morram. É importante saber quais são os sintomas e principalmente como evitá-los, aprender a ler os sinais. Quanto antes for tratada a doença, mais chances de evitar as sequelas e a morte.

E quais são os sinais?

São similares em homens e mulheres e podem surgir do nada: dor e aperto no peito, dores nas juntas, nos ombros, na mandíbula, pescoço e braços, dificuldade na hora de respirar e sensação de náusea. Além disso, as mulheres podem apresentar sintomas atípicos, como tontura, falta de ar e mal-estar gástrico.

O ataque cardíaco não é mais considerado 'doença de homem'?

Os tempos mudaram. Hoje, as mulheres estão vivendo e também morrendo como os homens: fumam mais, bebem mais, mas não têm os organismos deles e se tornam alvos fáceis.

Quais são as medidas preventivas? Em que as mulheres precisam ficar mais atentas?

Nós não vemos os sintomas da doença só olhando para o rosto. É preciso adotar mudanças no estilo de vida que representam pontos positivos para a saúde e evitam todo o tipo de doenças. Faça exercícios, seja mais ativa. Tome cuidado com o excesso de peso para não sofrer com a pressão alta e o colesterol alto. Além disso, coma de maneira mais saudável: escolha vegetais, legumes e frutas.

Existem grupos de risco ou toda mulher pode ter um problema no coração?

Há pessoas com mais predisposição, porém toda mulher deve se cuidar para evitar surpresas. Quem está entrando na menopausa precisa ficar mais atenta, assim como quem tem histórico familiar de doenças coronárias. Mas há também outros fatores grupos de risco: fumantes (principalmente mulheres jovens), quem tem pressão alta, diabetes ou colesterol alto.

Quando é hora do check-up?

Pelo menos uma vez ao ano, ainda que a paciente seja jovem. Não deixe de fazer. Ele pode salvar a sua vida.

Por que a mulher demora a perceber que sofre do coração?

No mundo todo, as mulheres são 'cuidadoras' e esquecem da própria saúde. Olham pela família e não para elas próprias. Chegou a hora de mudar esse quadro e evitar mais mortes. Mulheres, vocês precisam se cuidar.

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