Mulheres são menos capazes de suprimir a fome

Estudo mostrou diferenças nos sinais cerebrais e pode explicar maior taxa de obesidade entre mulheres

AP,

20 de janeiro de 2009 | 15h23

Quando em frente às suas comidas favoritas, as mulheres são menos capazes que os homens de suprimir a fome, uma descoberta que pode ajudar a explicar a maior taxa de obesidade para mulheres, sugere um novo estudo.  Pesquisadores norte-americanos tentando entender os mecanismos do cérebro para controlar a ingestão de comida ficaram surpresos com a diferença entre os sexos na resposta do cérebro.  Gene-Jack Wang do Laboratório Brookhaven National e seus colegas estavam tentando entender porque algumas pessoas comem mais que o necessário e ganham peso enquanto alguma não apresentam esse comportamento.  Eles realizaram scans cerebrais em 13 mulheres e 10 homens, que tinham jejuado durante a noite, para determinar como seus cérebros respondem à visão de suas comidas favoritas. Eles relataram as descobertas na edição desta terça-feira, 20, da revista Proceedings of the National Academy of Sciences. "Há algo acontecendo com a mulher", disse Wang, "o sinal é muito diferente." No estudo, foram realizadas perguntas aos participantes sobre suas comidas favoritas, que variavam de pizza a rolinhos de canela e de hambúrgueres a bolos de chocolate, e então eles jejuaram durante a noite.  No dia seguinte eles passaram por scans cerebrais enquanto viam suas comidas preferidas. Além disso, eles usaram uma técnica chamada inibição cognitiva, que lhes havia sido ensinada, para suprimir pensamentos de fome e comidas.  Enquanto tanto homens quanto mulheres disseram que a técnica diminuiu sua fome, os exames mostraram que a atividade cerebral nos homens realmente diminuiu, enquanto nas mulheres a parte do cérebro que responde à comida permaneceu ativa.  "Embora as mulheres tenham dito que estavam com menos fome enquanto tentavam inibir sua resposta à comida, seus cérebros ainda estavam funcionando muito nas regiões que controlam a vontade de comer", disse Wang.  Nora Volkow, diretor do National Institute on Drug Addiction e coautor do estudo, disse que a diferença de gênero foi uma surpresa e pode ser causada pelas diferentes necessidades nutricionais de homens e mulheres, embora tenha dito que a ideia é especulativa.  Devido ao tradicional papel da mulher como provedora da alimentação para as crianças, o cérebro feminino pode estar programado para comer quando os alimentos estiverem disponíveis, disse. O próximo passo é ver se os hormônios femininos estão alcançando diretamente essas partes do cérebro.  "Em nossa sociedade estamos constantemente sendo bombardeados por estímulos de comida", disse, então entender como é a resposta do cérebro pode ajudar a desenvolver maneiras de resistir a esses estímulos.  De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças , 35,3% das mulheres norte-americanas são obesas e 33,3% dos homens são considerados obesos. Os dados são de 2006. Ampliada às 15h40

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