Fabrice Coffrini/Pool via Reuters
Fabrice Coffrini/Pool via Reuters

Mundo tem de se preparar para próximas pandemias, defendem diretor-geral da OMS e líderes mundiais

Tratado internacional proposto pela União Europeia e endossado nesta terça-feira, 30, em uma declaração conjunta de 25 chefes de Estado e de governo deve ficar pronto para assinatura em maio

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2021 | 07h59

GENEBRA - A Organização Mundial da Saúde (OMS) espera que o tratado internacional contra pandemias proposto pela União Europeia (UE) e endossado nesta terça-feira, 30, em uma declaração conjunta de 25 chefes de Estado e de governo esteja pronto para assinatura já em maio, anunciou o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus

"Os 194 estados membros da OMS vão agora iniciar as negociações e esperamos ter uma resolução em maio, quando será realizada a assembleia anual da entidade", disse Tedros em entrevista coletiva para apresentar este tratado proposto, cujo objetivo seria preparar melhor o planeta contra futuras pandemias. 

Embora o conteúdo do acordo dependa dessas negociações, Tedros expressou seu interesse em incluir pelo menos três pontos-chave: compartilhar medidas de prevenção e emergência, informações sobre patógenos (vírus e outras causas de doenças) e ferramentas para combater epidemias, incluindo medicamentos, vacinas e testes. 

“O mundo não pode esperar que a atual pandemia termine para se preparar para enfrentar a próxima”, enfatizou o especialista etíope, que lembrou que a crise de saúde “expôs falhas nos sistemas de preparação para epidemias nacionais, regionais e globais”. 

Tedros também observou que a pandemia da covid-19 "mostrou o quanto precisamos de um compromisso universal", um tratado que "forneça uma estrutura para cooperação e solidariedade internacional". O futuro tratado, disse ele, poderia basear seu texto em fundamentos já presentes na constituição da OMS, incluindo os princípios de "saúde para todos" e não discriminação. 

Entre os chefes de Estado e de governo que assinam a petição por um tratado internacional contra as pandemias estão o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, o presidentes do Chile, Sebastián Piñera, o presidente da Costa Rica, Carlos Alvarado Quesada, e a chanceler alemã, Angela Merkel.

Também estão presentes os presidentes da França, Emmanuel Macron, da Espanha, Pedro Sánchez, da Indonésia, Joko Widodo, da África do Sul, Cyril Ramaphosa, da Coréia do Sul, Moon Jae-in, entre outros. 

Tedros minimizou a ausência neste apelo de líderes de países como Estados Unidos, Rússia ou China, indicando que por enquanto é apenas uma carta de intenções e que todos os Estados membros da OMS participarão de negociações futuras. 

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, também participou na conferência de imprensa desta terça-feira, evocando a ideia de um tratado contra as pandemias em nome da UE no ano passado e sublinhou que tal documento “pode melhorar a prevenção e a resposta a futuras pandemias.

“A questão não é se haverá uma próxima pandemia, mas como será. Devemos estar prontos para isso e não temos tempo a perder”, disse Michel, destacando que para melhorar a resposta futura, a transparência e a responsabilidade dos o sistema internacional de preparação deve ser melhorado para emergências. 

"A covid-19 expôs fraquezas e divisões em nossas sociedades, e é hora de nos unirmos como uma comunidade global para construir uma defesa para as gerações futuras além desta crise", concluiu. / EFE

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