Mutação de proteína no esperma pode causar infertilidade masculina

A fertilidade dos homens examinados que apresentavam a mutação caiu 30%

Efe

21 Julho 2011 | 13h39

Washington - A mutação de um gene de uma proteína que recobre o esperma poderia ser a causa de grande parte dos casos de infertilidade masculina, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira na revista Science Translational Medicine.

O relatório redigido por uma equipe internacional de pesquisadores liderada pelo professor Gary Cherr da Universidade da Califórnia Davis poderia abrir novos caminhos para resolver os problemas de infertilidade dos casais.

Os cientistas coletaram amostras de DNA nos Estados Unidos, Reino Unido, China, Japão e África, e descobriram que um quarto dos homens tem um gene defeituoso que afeta a proteína DEFB126, que por sua vez, se encarrega de recobrir a superfície do esperma e o ajuda a penetrar na mucosa do colo do útero da mulher.

Os homens que têm esta variante da proteína DEFB126, não apresentam o Beta Defensina 126, o que dificulta o processo do esperma de nadar através da mucosa e eventualmente unir-se a um óvulo, indicam os cientistas que apontam que esta variação genética "possivelmente é responsável por vários casos de infertilidade sem explicação até o momento".

Ao examinar 500 casais chineses recém-casados, os cientistas descobriram que a falta do Beta Defensina 126 em homens com a mutação DEFB126 diminuiu a fertilidade em 30%.

O professor Associado de Urologia da Universidade da Califórnia Davis e coautor do estudo, Ted Tollner, indicou em comunicado que esse novo descobrimento poderia abrir novas pesquisas para fazer um estudo mais amplo do papel desta mutação na infertilidade.

Tollner assinalou que em comparação com o esperma dos macacos e outros mamíferos, os espermatozoides humanos são em geral de má qualidade, nadam devagar e têm uma alta taxa de células defeituosas.

O professor Cherr, por sua vez, assinalou que a questão pode estar relacionada ao fato que nos seres humanos, ao contrário da maioria dos mamíferos, a perpetuação da raça se sustenta em uma relação monogâmica e "a qualidade do esperma simplesmente não importa muito".

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