Ernesto Rodrigues / Estadão
Ernesto Rodrigues / Estadão

Doria faz acordo com farmacêutica na Inglaterra, mas não consegue centro de pesquisas

Governador de São Paulo assinou um protocolo de intenções com o laboratório AstraZeneca para parceria de cooperação com o Hospital das Clínicas

Célia Froufe, Enviada especial

10 de julho de 2019 | 01h05

CAMBRIDGE - Na Inglaterra até quinta-feira, 11, para angariar investimentos ao Estado, o governador de São Paulo, João Doria, assinou nesta terça-feira, 9, um protocolo de intenções com a gigante farmacêutica AstraZeneca para uma parceria de cooperação com o Hospital das Clínicas.

A intenção é modernizar a instituição dentro do modelo 4.0, um conceito trazido do setor industrial, que vive a Quarta Revolução, que busca a integração de todas as áreas possíveis, uso de inteligência artificial, robótica e Big Data.

Com atuação em Cotia, na Grande São Paulo, a empresa atua em vários países do mundo e o Brasil é um dos poucos locais que ainda não contam com um centro de pesquisa e desenvolvimento. "Fizemos um apelo para que implantem em São Paulo um centro de pesquisa", relatou o governador.

Além de colaborar com conhecimento científico para aprimoramento dos protocolos de tratamento no maior complexo hospitalar da América Latina, pelo acordo, a empresa irá ceder tecnologia, estimulando a implantação de processos inovadores.

"Uma das questões da medicina hoje não é tratar de uma doença em um paciente, mas o que estamos fazendo agora é olhar toda a história do paciente, até mesmo antes de ser diagnosticado com alguma enfermidade. Não estamos concentrados apenas em um momento", explicou ao Broadcast o presidente da companhia no Brasil, o escocês Fraser Hall.

Em São Paulo há 20 anos, a ambição da empresa é melhorar a vida de 5,5 milhões de pacientes brasileiros até 2025. "Temos compromisso com o Brasil", afirmou Hall. Ele descartou, no entanto, um dos objetivos mais desejados pelo governo do Estado, que é o de criar um centro de pesquisa no País, como já tem em outras unidades no mundo, como na China, Japão e Estados Unidos, além de em seus países sede: Reino Unido (Cambridge) e Suécia (Gothenburg).

"Não está nos planos no momento, mas estamos fazendo várias iniciativas de pesquisa na área clínica no Brasil, mas não temos laboratórios, não estamos fazendo descobertas no País", disse o executivo.

De acordo com Hall, o Brasil deve se tornar uma oportunidade para a empresa nesse sentido, mas não no momento. Antes, segundo ele, é preciso desenvolver mais as bases da ciência local e ter mais infraestrutura no setor de educação.

Antes da assinatura do protocolo, Doria e sua equipe visitaram a instalação da empresa em Cambridge e se disse impressionado com o que viu no local. Aos executivos da companhia, reafirmou que seu governo é liberal e disse que atuações como a da empresa em Cotia são importantes para o Estado e para o País.

"Falo de São Paulo porque é o que a gente gerencia, então é a fronteira que temos de ter, mas é importante para São Paulo e para o Brasil, claro", disse o governador que não assume, mas que pavimenta seu caminho como candidato em 2022.

Após o evento, Doria disse ao Broadcast que, num primeiro momento, a parceira não envolve investimentos, mas que eles poderão vir numa segunda fase. "Há perspectivas de investimentos em programas de estudos, na chamada ciência médica. Diria que é uma segunda etapa, mais breve até", disse, argumentando que São Paulo se diferencia do restante do País e que já conta com infraestrutura. "Esse protocolo acelera o processo nessa direção."

Para o presidente da InvestSp, Wilson Mello, que também participou da formatação do acordo, essa iniciativa já implantada pela empresa em outros hospitais em diversas partes do mundo é uma tendência. "O futuro da área da saúde passa necessariamente pela tecnologia e inovação."

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