Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Na Paulista, baixa demanda acelera fechamento do comércio e aumenta insegurança

Movimento foi tão baixo que alguns donos de restaurantes decidiram fechar as portas neste sábado

Tulio Kruse, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2020 | 20h30

O fechamento do comércio na cidade de São Paulo esvaziou alguns dos locais mais movimentados da capital paulista neste sábado, 21. A Avenida Paulista, na região central, teve alguns de seus restaurantes fechados pela primeira vez desde o início da pandemia do novo coronavírus.

O motivo não foi o decreto para fechamento dos serviços não essenciais, que entra em vigor a partir da próxima terça, 24. Na via mais conhecida da cidade, o movimento foi tão baixo que muitos donos de lanchonetes e restaurantes resolveram encerrar as atividades antes mesmo do previsto.

“Estamos vendo que não faz sentido ficar aqui trabalhando, só viemos porque somos obrigados”, disse a atendente Ingrid Araújo, de 20 anos, que trabalha em um quiosque que serve açaí na Paulista. Até as 15h da tarde deste sábado, ela havia vendido menos de cinco refeições.

O dono do quiosque onde ela trabalha manteve o local aberto para tentar vender o estoque de produtos e, assim, ter menos prejuízo. Quando ela conversou com a reportagem, ainda restavam 70 quilos de açaí na geladeira, e os restaurantes ao redor da esquina com a Avenida Brigadeiro Luís Antônio já fechavam as portas por falta de demanda.

“Estamos informando os números das vendas e esperando uma posição do patrão", ela contou. "Nosso vizinho fechou as portas mais cedo do restaurante porque não vendeu um prato de comida sequer.”

Próximo ao cruzamento com a Alameda Joaquim Eugênio de Lima, os garçons e cozinheiros de três restaurantes estavam de braços cruzados, à espera de clientes. Os gerentes conversavam sobre fechar as portas antes mesmo da entrada em vigor do decreto que exige a suspensão do atendimento nos restaurantes. A avaliação era de que a demanda dos serviços de entrega não seria suficiente para mantê-los em funcionamento.

“A demanda não está muito tão bem assim, tanto que tanto que muita gente do delivery, entregadores e cozinheiros, foi dispensada”, diz Antonio, de 65 anos, dono de duas pastelarias na Paulista. Integrante do grupo de risco para o novo coronavírus, Antonio ainda torcia para ter movimento suficiente para manter uma das lanchonetes abertas e continuar trabalhando. “Nós estamos vendo se vale a pena ficar aberto até terça, se tem demanda suficiente para manter ao menos um restaurante. Se não, vou ter que ficar em casa mesmo.”

Insegurança

As calçadas vazias da Paulista aumentaram a preocupação de alguns moradores com a segurança. Há quem peça mais policiamento na região, preocupados com a quantidade menor de pessoas na rua.

“Estou muito mais preocupado com a queda no movimento da rua do que com o vírus”, diz o químico Marcos Paulo, de 56 anos, que mora na região. “Com o fechamento desses restaurantes e sem pedestres, quem dependia de esmola vai fazer o que? Vão ficar desesperados e assaltar as pessoas e, com a rua deserta, todos ficam mais vulneráveis a assalto.”  

 

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