Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Na pior epidemia da história, Campinas registra segunda morte por dengue

Já são 14 mil casos na cidade em menos de quatro meses; na epidemia anterior, em 2007, foram registrados 11,4 mil casos

Ricardo Brandt, O Estado de S. Paulo

22 Abril 2014 | 19h33

CAMPINAS - No mesmo dia em que dois representantes do Ministério da Saúde chegaram a Campinas para avaliar o pedido de ajuda para que a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) atue no combate da maior epidemia de dengue vivida na cidade, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou nesta terça-feira, 22, a segunda morte provocada pela doença.

O Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, confirmou que uma mulher de 60 anos, infectada em Santa Bárbara D'Oeste e morta no dia 7 de abril, em Campinas, estava com dengue. O instituto investiga outras seis mortes suspeitas.

Já são 14 mil casos na cidade, em menos de quatro meses. No ano da pior epidemia vivida até hoje (2007) foram registrados 11,4 mil casos. "É um absurdo uma cidade como essa ter tanto caso de dengue. Aqui em casa fazemos a nossa parte, mas e as autoridades e os demais moradores?", questiona a dona de casa Maria Aparecida de Lourdes, de 59 anos, que mora na região noroeste da cidade, a mais afetada.

Outras três mortes suspeitas ainda estão em investigação em Campinas e uma morte já havia sido confirmada. Outros três casos que estavam em investigação foram descartados nesta terça-feira, segundo o secretário municipal de Saúde, Cármino de Souza.

Força Nacional. Nesta terça, o coordenador do Programa Nacional de Combate à Dengue, Geovanini Coelho, e o coordenador da área de assistência do Ministério da Saúde, Rodrigo Said, se reuniam com técnicos da secretaria municipal, o secretário e a diretora da Vigilância em Saúde, Brigina Kemp.

Os dois passarão dois dias em Campinas para definir como será a ajuda da Força Nacional do SUS. Entre as medidas, segundo o secretário, o governo federal pode optar por dar apoio técnico, enviar profissionais para reforçar o combate e até mesmo montar hospitais em tendas, para agilizar o tratamento de doentes.

Os profissionais do Ministério da Saúde tomaram conhecimento dos dados do município e das ações adotadas até agora. "Por enquanto estamos realizando uma troca de experiências. Foram montadas duas frentes de trabalho: uma da Vigilância e outra da Assistência", explicou o secretário.

Por designação, a Força Nacional do SUS é um programa de cooperação com Estados e municípios criado para a execução de medidas de prevenção, assistência às situações de surtos, epidemias, desastres ou de desassistência à população. "Vamos traçar um plano com as três esferas de governo para o enfrentamento da crise", explicou o secretário. Os técnicos do ministério não deram entrevista.

Combate. Desde a semana passada, Campinas conta com apoio do Exército no combate aos criadouros do mosquito transmissor da dengue. Nesta terça-feira, agentes da Secretaria Municipal de Saúde fizeram trabalhos de limpeza em imóveis abandonados e fechados no distrito de Barão Geraldo, com base na autorização judicial obtida para abrir imóveis fechados para o combate à dengue.

A Câmara de Vereadores também convocou nesta terça-feira o secretário de Saúde para esclarecer a situação na cidade e quais medidas estão sendo tomadas. Segundo Cármino, a maior parte dos casos pode ser atribuída ao contágio doméstico, o que reforçaria a necessidade de que os moradores façam a sua parte, limpando focos do mosquito.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.