Na ponta do lápis: como a escrita pode ajudar no autoconhecimento

Exercício de botar para fora pensamentos e emoções abre a possibilidade de perceber características pessoais e refletir sobre si mesmo, dizem especialistas

Nathalia Molina - Especial para o Estadão

Fernanda Rena tem 45 anos e escreve diários desde os nove. Volta e meia, relê alguns trechos e se dá conta do quanto mudou desde então e do que continua igual.“Faz parte da minha rotina olhar diários antigos. Fazendo isso sei, por exemplo, que a minha vida inteira eu me preocupei com determinadas coisas. Sempre fui muito perfeccionista, me cobrava. No colégio, era a prova. No trabalho, achava que não ia dar conta”, diz a jornalista, editora do jornal do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Segundo Fernanda, o hábito de fazer diários permite ir aprendendo a dimensionar a importância que ela dá aos acontecimentos da vida. “Quando leio, eu me pergunto ‘como fiquei tão nervosa por causa de tal coisa?’.”

Escrever pode ajudar a se conhecer, dizem os especialistas. O exercício de botar para fora pensamentos e emoções abre a possibilidade de perceber características pessoais e de se fazer uma reflexão sobre si mesmo e sobre o mundo ao redor.

Fernanda Rena, de 45 anos, escreve diários desde os 9 - e gosta de reler as páginas de vez em quando Foto: Wilton Junior/Estadão

A escritora Ana Holanda viu isso ocorrer com os alunos nos seus cursos de escrita criativa e afetuosa, como ela chama seu método. “A grande questão é que eu achei que fosse interessar para quem trabalhasse de fato com isso, quem é jornalista ou no máximo profissional de marketing”, conta. “Mas, com o tempo, cada vez mais apareciam pessoas no meu curso dizendo ‘Eu vim na verdade porque minha psicóloga pediu, tenho questões que preciso conseguir escrever sobre’. As pessoas começaram a vir por motivos pessoais. Às vezes não contavam na apresentação, mas falavam comigo depois.”

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Autora do livro Como se Encontrar na Escrita (Editora Rocco), Ana trabalha o tema também no Instagram @anaholandaoficial e no clube de escrita que lançou há um ano. “Meu curso é para quem já se sente íntimo da palavra ou para aqueles que paralisam em frente da folha em branco; para quem quer escrever para si, para o outro, para um livro, um projeto digital ou profissional. O curso é para todos.” Atualmente, ela própria escreve Pequeno Manual da Escrita Afetuosa, com publicação prevista para o segundo semestre deste ano.

Temas e objetivos

“Tenho quase 30 anos de escrita. Comecei como jornalista e passei a estudar que elementos um texto carrega”, lembra Ana, que de lá para cá já criou programas também com objetivos específicos. “Tenho um curso só sobre escrever diários e outro para momentos de dor, como luto, separação ou um filho que saiu de casa.”

Ana explica que não se debruça sobre questões técnicas com os alunos, e sim na transformação do abstrato (os sentimentos) em algo concreto (as palavras). “A escrita é um reflexo de quem a gente é. Nem todos os dias vão ser bons. Tem de saber o que puxar”, diz a escritora. “Eu não tenho uma formação terapêutica, mas eu conduzo a pessoa para que ela consiga escrever. Vou até aí, em como ela chega na escrita.”

Ana Holanda oferece cursos de escrita voltados ao autoconhecimento com temas específicos Foto: Carolina Pires

Pode até não ser a finalidade, mas pôr um pouco ou muito de si no papel ou num arquivo de computador pode, de quebra, auxiliar na melhora do português e no ganho de segurança pessoal. Os especialistas reforçam, no entanto, que regras gramaticais, acentuação e concordância não devem estar entre as preocupações de quem pretende usar essa prática em busca de autoconhecimento. 

Primeiro passo

Para Mary Yoko Okamoto, professora de Psicologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) no câmpus de Assis, no caso de processos mais profundos, escrever não significa que aquela questão vai se resolver, mas é um primeiro passo. “A escrita, sim, pode ajudar. Num primeiro momento, como uma fonte de reflexão para perceber algumas questões. A pessoa geralmente faz uma imersão nela mesma e isso vem à tona. Ela pode escrever e depois, relendo o material, se dar conta de algumas coisas que estão lá no conteúdo. Outra coisa é que tipo de modificação vem a partir daí.”

Seta Aspas EsquerdaA pessoa geralmente faz uma imersão nela mesma e isso vem à tona. Ela pode escrever e depois, relendo o material, se dar conta de algumas coisas que estão lá no conteúdoSeta Aspas Direita

Mary Yoko Okamoto, professora de Psicologia

Recentemente, a escritora Ana usou as páginas do diário como apoio para atravessar uma fase árdua durante a pandemia. “Eu me separei no meio de 2020, e foi uma coisa muito difícil para mim, com muita mágoa, coisas não ditas. Passei por todo esse processo e hoje estou apaixonada de novo. Quando releio os textos mais antigos, olho como eu estava. Essa é a beleza do diário. Ele é um retrato de você.” 

Fernanda também desfruta desse processo e do que tira dele ao longo dos muitos anos escrevendo diários. “Tem coisas que já consegui mudar, superar. A maturidade me ajudou, e a terapia também. Mas tem algumas coisas que leio, especialmente sobre amores do passado, em que escrevi: ‘Daqui a 20 anos, eu não vou nem ligar para isso’, só que eu vejo que ainda estou ligando”, conta, rindo da situação. 

Projeto Escreva-se usa palavra escrita para lidar com traumas

A escrita é usada como recurso em terapias, por exemplo, para o tratamento de traumas. Na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), o Projeto Escreva-se é inspirado numa técnica de Yale, universidade americana. “Lá, eles desenvolveram um protocolo para a população LGBT+, do ponto de vista da saúde mental, para ser usado em Estados americanos muito pobres e preconceituosos. São estratégias de intervenção autoguiada, sem mediação, com tarefas de escrita”, explica o professor da PUC-RS Angelo Brandelli Costa.

Ele ressalta que os participantes precisam seguir o modelo proposto pelo método. “Não é pegar um diário e escrever. Embora não tenha um profissional de saúde acompanhando, é parecido com a psicoterapia”, afirma Costa. Na primeira semana, a pessoa escreve três vezes, durante 20 minutos cada, sobre a situação de discriminação que sofreu. Na seguinte, imagina que está se dirigindo a uma pessoa parecida com ela mesma e escreve para ela tentar ajudá-la.

Seta Aspas EsquerdaNão importa se vai ser uma frase ou cinco páginas. Independentemente do volume de texto, existem evidências de que esse processo melhora a saúde mentalSeta Aspas Direita

Angelo Brandelli Costa, professor da PUC-RS

“Não importa se vai ser uma frase ou cinco páginas. Independentemente do volume de texto, existem evidências de que esse processo melhora a saúde mental, apenas com o fato de a pessoa tentar botar de uma forma organizada a situação traumática, endereçado a alguém ou a si mesma”, diz. Quem quiser se candidatar para ser voluntário pode mandar e-mail para angelo.costa@pucrs.br.

Etapas

No geral, são três as etapas previstas para o desenvolvimento do Escreva-se: coleta de dados dos voluntários na plataforma projetoescrevase.edu.br (que entrará no ar em breve) para a validação do projeto; curso de formação para tornar a ferramenta disponível no Sistema Único de Saúde no Rio Grande do Sul; possível extensão para o SUS no restante do País. 

No Brasil, ele acredita que esse método pode vir a se tornar uma alternativa para tratar a saúde mental no SUS, sem um alto investimento financeiro. “Certamente essa intervenção pode ser adaptada e pode funcionar e ser testada”, afirma. “As políticas de saúde mental nunca tiveram investimento. A lógica é baseada na internação e não na prevenção.”

A escrita tem uma função instrumental em terapias tradicionais, explica Costa. “Na psicanálise, há várias técnicas projetivas. Quando Freud analisa os sonhos, está analisando as narrativas”, explica Costa. Um diário também pode servir para a pessoa lembrar do que acontecia com ela no momento em que se sentiu de determinada maneira. “Algumas pessoas conseguem se expressar muito bem com a fala. Outras desenham, outras escrevem.”

Como usar a escrita para se conhecer melhor

Confira dicas de Mary Yoko Okamoto (professora de Psicologia da Universidade Estadual Paulista/Assis) e de Ana Holanda (jornalista, escritora e criadora de cursos de escrita), para escrever exercitando o autoconhecimento.

Ao escrever com frequência, você consegue entender se projetos se concretizaram ou não e entender as causas Foto: Yoann Sloaine/Unsplash.com

  • Momento de reflexão: Ao escrever com frequência, você consegue se dar conta se perspectivas e projetos se realizaram ou não. Caso não tenham se concretizado, vale analisar o por quê. Algo impediu? O plano que você fez era factível ou superdimensionado? “É importante avaliar a situação como um todo e não só focar no sucesso ou no insucesso”, diz a professora.
  • Olhar para si mesmo: “Em situações que envolvem os outros, muitas vezes a pessoa foca no que os outros fizeram ou deixaram de fazer. Mas também deve perceber ela mesma naquela situação: o que impactou, o que mobilizou e o que paralisou?”, recomenda Mary Yoko.
  • Proximidade: Segundo Ana, é muito comum nos seus cursos de escrita ver alunos que não se aproximam daquilo que estão escrevendo sobre, especialmente em casos de trauma. “Escreva sobre a sua dor. Não se coloque num lugar imenso. Você pode começar pelas beiradas”, ensina. “Por exemplo, se você está usando uma blusa com a cor que era a preferida da pessoa que você perdeu, escreva sobre essa blusa, sobre a cor.”
  • Respeito: Não se force a escrever quando não tiver vontade. É preciso respeitar seu tempo. Mas, de acordo com Mary Yoko, também pode ser bom tentar entender o que levou à pausa.
  • Forma de expressão: A professora pontua que escrever não é para todo mundo. “Tem gente que tem essa maneira de expressão. Para outras pessoas, pode ser mais acessível a música, a pintura ou a fotografia. São as formas de linguagem de cada um.”

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Na ponta do lápis: como a escrita pode ajudar no autoconhecimento

Exercício de botar para fora pensamentos e emoções abre a possibilidade de perceber características pessoais e refletir sobre si mesmo, dizem especialistas

Nathalia Molina - Especial para o Estadão

Fernanda Rena tem 45 anos e escreve diários desde os nove. Volta e meia, relê alguns trechos e se dá conta do quanto mudou desde então e do que continua igual.“Faz parte da minha rotina olhar diários antigos. Fazendo isso sei, por exemplo, que a minha vida inteira eu me preocupei com determinadas coisas. Sempre fui muito perfeccionista, me cobrava. No colégio, era a prova. No trabalho, achava que não ia dar conta”, diz a jornalista, editora do jornal do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Segundo Fernanda, o hábito de fazer diários permite ir aprendendo a dimensionar a importância que ela dá aos acontecimentos da vida. “Quando leio, eu me pergunto ‘como fiquei tão nervosa por causa de tal coisa?’.”

Escrever pode ajudar a se conhecer, dizem os especialistas. O exercício de botar para fora pensamentos e emoções abre a possibilidade de perceber características pessoais e de se fazer uma reflexão sobre si mesmo e sobre o mundo ao redor.

Fernanda Rena, de 45 anos, escreve diários desde os 9 - e gosta de reler as páginas de vez em quando Foto: Wilton Junior/Estadão

A escritora Ana Holanda viu isso ocorrer com os alunos nos seus cursos de escrita criativa e afetuosa, como ela chama seu método. “A grande questão é que eu achei que fosse interessar para quem trabalhasse de fato com isso, quem é jornalista ou no máximo profissional de marketing”, conta. “Mas, com o tempo, cada vez mais apareciam pessoas no meu curso dizendo ‘Eu vim na verdade porque minha psicóloga pediu, tenho questões que preciso conseguir escrever sobre’. As pessoas começaram a vir por motivos pessoais. Às vezes não contavam na apresentação, mas falavam comigo depois.”

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Autora do livro Como se Encontrar na Escrita (Editora Rocco), Ana trabalha o tema também no Instagram @anaholandaoficial e no clube de escrita que lançou há um ano. “Meu curso é para quem já se sente íntimo da palavra ou para aqueles que paralisam em frente da folha em branco; para quem quer escrever para si, para o outro, para um livro, um projeto digital ou profissional. O curso é para todos.” Atualmente, ela própria escreve Pequeno Manual da Escrita Afetuosa, com publicação prevista para o segundo semestre deste ano.

Temas e objetivos

“Tenho quase 30 anos de escrita. Comecei como jornalista e passei a estudar que elementos um texto carrega”, lembra Ana, que de lá para cá já criou programas também com objetivos específicos. “Tenho um curso só sobre escrever diários e outro para momentos de dor, como luto, separação ou um filho que saiu de casa.”

Ana explica que não se debruça sobre questões técnicas com os alunos, e sim na transformação do abstrato (os sentimentos) em algo concreto (as palavras). “A escrita é um reflexo de quem a gente é. Nem todos os dias vão ser bons. Tem de saber o que puxar”, diz a escritora. “Eu não tenho uma formação terapêutica, mas eu conduzo a pessoa para que ela consiga escrever. Vou até aí, em como ela chega na escrita.”

Ana Holanda oferece cursos de escrita voltados ao autoconhecimento com temas específicos Foto: Carolina Pires

Pode até não ser a finalidade, mas pôr um pouco ou muito de si no papel ou num arquivo de computador pode, de quebra, auxiliar na melhora do português e no ganho de segurança pessoal. Os especialistas reforçam, no entanto, que regras gramaticais, acentuação e concordância não devem estar entre as preocupações de quem pretende usar essa prática em busca de autoconhecimento. 

Primeiro passo

Para Mary Yoko Okamoto, professora de Psicologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) no câmpus de Assis, no caso de processos mais profundos, escrever não significa que aquela questão vai se resolver, mas é um primeiro passo. “A escrita, sim, pode ajudar. Num primeiro momento, como uma fonte de reflexão para perceber algumas questões. A pessoa geralmente faz uma imersão nela mesma e isso vem à tona. Ela pode escrever e depois, relendo o material, se dar conta de algumas coisas que estão lá no conteúdo. Outra coisa é que tipo de modificação vem a partir daí.”

Seta Aspas EsquerdaA pessoa geralmente faz uma imersão nela mesma e isso vem à tona. Ela pode escrever e depois, relendo o material, se dar conta de algumas coisas que estão lá no conteúdoSeta Aspas Direita

Mary Yoko Okamoto, professora de Psicologia

Recentemente, a escritora Ana usou as páginas do diário como apoio para atravessar uma fase árdua durante a pandemia. “Eu me separei no meio de 2020, e foi uma coisa muito difícil para mim, com muita mágoa, coisas não ditas. Passei por todo esse processo e hoje estou apaixonada de novo. Quando releio os textos mais antigos, olho como eu estava. Essa é a beleza do diário. Ele é um retrato de você.” 

Fernanda também desfruta desse processo e do que tira dele ao longo dos muitos anos escrevendo diários. “Tem coisas que já consegui mudar, superar. A maturidade me ajudou, e a terapia também. Mas tem algumas coisas que leio, especialmente sobre amores do passado, em que escrevi: ‘Daqui a 20 anos, eu não vou nem ligar para isso’, só que eu vejo que ainda estou ligando”, conta, rindo da situação. 

Projeto Escreva-se usa palavra escrita para lidar com traumas

A escrita é usada como recurso em terapias, por exemplo, para o tratamento de traumas. Na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), o Projeto Escreva-se é inspirado numa técnica de Yale, universidade americana. “Lá, eles desenvolveram um protocolo para a população LGBT+, do ponto de vista da saúde mental, para ser usado em Estados americanos muito pobres e preconceituosos. São estratégias de intervenção autoguiada, sem mediação, com tarefas de escrita”, explica o professor da PUC-RS Angelo Brandelli Costa.

Ele ressalta que os participantes precisam seguir o modelo proposto pelo método. “Não é pegar um diário e escrever. Embora não tenha um profissional de saúde acompanhando, é parecido com a psicoterapia”, afirma Costa. Na primeira semana, a pessoa escreve três vezes, durante 20 minutos cada, sobre a situação de discriminação que sofreu. Na seguinte, imagina que está se dirigindo a uma pessoa parecida com ela mesma e escreve para ela tentar ajudá-la.

Seta Aspas EsquerdaNão importa se vai ser uma frase ou cinco páginas. Independentemente do volume de texto, existem evidências de que esse processo melhora a saúde mentalSeta Aspas Direita

Angelo Brandelli Costa, professor da PUC-RS

“Não importa se vai ser uma frase ou cinco páginas. Independentemente do volume de texto, existem evidências de que esse processo melhora a saúde mental, apenas com o fato de a pessoa tentar botar de uma forma organizada a situação traumática, endereçado a alguém ou a si mesma”, diz. Quem quiser se candidatar para ser voluntário pode mandar e-mail para angelo.costa@pucrs.br.

Etapas

No geral, são três as etapas previstas para o desenvolvimento do Escreva-se: coleta de dados dos voluntários na plataforma projetoescrevase.edu.br (que entrará no ar em breve) para a validação do projeto; curso de formação para tornar a ferramenta disponível no Sistema Único de Saúde no Rio Grande do Sul; possível extensão para o SUS no restante do País. 

No Brasil, ele acredita que esse método pode vir a se tornar uma alternativa para tratar a saúde mental no SUS, sem um alto investimento financeiro. “Certamente essa intervenção pode ser adaptada e pode funcionar e ser testada”, afirma. “As políticas de saúde mental nunca tiveram investimento. A lógica é baseada na internação e não na prevenção.”

A escrita tem uma função instrumental em terapias tradicionais, explica Costa. “Na psicanálise, há várias técnicas projetivas. Quando Freud analisa os sonhos, está analisando as narrativas”, explica Costa. Um diário também pode servir para a pessoa lembrar do que acontecia com ela no momento em que se sentiu de determinada maneira. “Algumas pessoas conseguem se expressar muito bem com a fala. Outras desenham, outras escrevem.”

Como usar a escrita para se conhecer melhor

Confira dicas de Mary Yoko Okamoto (professora de Psicologia da Universidade Estadual Paulista/Assis) e de Ana Holanda (jornalista, escritora e criadora de cursos de escrita), para escrever exercitando o autoconhecimento.

Ao escrever com frequência, você consegue entender se projetos se concretizaram ou não e entender as causas Foto: Yoann Sloaine/Unsplash.com

  • Momento de reflexão: Ao escrever com frequência, você consegue se dar conta se perspectivas e projetos se realizaram ou não. Caso não tenham se concretizado, vale analisar o por quê. Algo impediu? O plano que você fez era factível ou superdimensionado? “É importante avaliar a situação como um todo e não só focar no sucesso ou no insucesso”, diz a professora.
  • Olhar para si mesmo: “Em situações que envolvem os outros, muitas vezes a pessoa foca no que os outros fizeram ou deixaram de fazer. Mas também deve perceber ela mesma naquela situação: o que impactou, o que mobilizou e o que paralisou?”, recomenda Mary Yoko.
  • Proximidade: Segundo Ana, é muito comum nos seus cursos de escrita ver alunos que não se aproximam daquilo que estão escrevendo sobre, especialmente em casos de trauma. “Escreva sobre a sua dor. Não se coloque num lugar imenso. Você pode começar pelas beiradas”, ensina. “Por exemplo, se você está usando uma blusa com a cor que era a preferida da pessoa que você perdeu, escreva sobre essa blusa, sobre a cor.”
  • Respeito: Não se force a escrever quando não tiver vontade. É preciso respeitar seu tempo. Mas, de acordo com Mary Yoko, também pode ser bom tentar entender o que levou à pausa.
  • Forma de expressão: A professora pontua que escrever não é para todo mundo. “Tem gente que tem essa maneira de expressão. Para outras pessoas, pode ser mais acessível a música, a pintura ou a fotografia. São as formas de linguagem de cada um.”

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